segunda-feira, 30 de outubro de 2017
Parque das Nações - Lisboa
Um passeio fim de tarde:Parque das Nações foi a designação dada ao bairro surgido na antiga Zona de Intervenção da Expo, que inclui o local onde foi realizada a Exposição Mundial de 1998 e ainda todas as áreas que estiveram sob administração da ParqueExpo, S.A.
domingo, 29 de outubro de 2017
Na escola do século XXI, é de pequenino que se programa o pepino
Cerca de 64 mil crianças aprendem, este ano letivo, programação e robótica, numa iniciativa da Direção-Geral da Educação (DGE) que pretende transformar o método de ensino nas escolas num mundo cada vez mais tecnológico.

O projeto que dá aos professores a possibilidade de ensinarem novos conteúdos, e ao qual aderiram 786 escolas públicas e privadas, estende-se agora até ao 9.º ano, depois de dois anos aberto apenas aos alunos do 1.º ciclo.
O diretor-geral da educação, José Vítor Pedroso, explicou à Lusa que são os próprios docentes das escolas que, contando com um acompanhamento permanente ‘online’ e vários encontros regionais com formadores, dão estas aulas.António Silva, coordenador da iniciativa “Programação e Robótica no Ensino Básico”, sublinha que o objetivo não é formar programadores, mas fazer com a programação seja mais um método de ensino do que uma disciplina.
As atividades do programa, centradas nas temáticas de segurança digital, cidadania digital e multidisciplinaridade, podem ser dinamizadas na oferta complementar, nas atividades de enriquecimento curricular ou na oferta de escola, mas a intenção é que os professores de todas as disciplinas adotem a programação e a robótica.“Queremos que os professores utilizem não apenas as metodologias tradicionais, mas que inovem com base nesta nova área”, contou o coordenador, apoiado pelo diretor-geral, que acrescentou o exemplo da criação de uma estação meteorológica, na disciplina de geografia.
Segundo José Vítor Pedroso, a aprendizagem destes conteúdos permite não só desenvolver o pensamento computacional, ao nível da algoritmia ou das sequências, mas também a capacidade de resolução de problemas, a resiliência e a utilização do método científico na abordagem a várias situações.
“Esta capacidade de análise é muito referida pelos próprios professores como uma vantagem do ensino da programação”, explica o diretor-geral que diz ter vindo a receber críticas muito positivas ao programa.António Silva acrescenta ainda o desenvolvimento das competências para o século XXI, como a comunicação ou o trabalho de equipa, considerando que “estas ‘soft skills’ são, de facto, aquilo a que a escola hoje em dia deve dar cada vez mais resposta”.
Foi também a olhar para estas competências transversais que surgiu, no início de 2017, a HappyCode, uma escola de programação de jogos, aplicações e robótica, cuja missão é “formar pensadores e criadores do século XXI”.
“Queremos mudar mentalidades, mudar a forma de ver a tecnologia e ajudar a criar uma nova geração de portugueses aptos a ter sucesso num mundo cada vez mais tecnológico”, disse à Lusa Pedro Teixeira, diretor de operações.
A HappyCode tem cursos a partir dos sete anos e aos dez as crianças começam já a aprender conceitos e linguagens de programação que se ensinam na faculdade, um desafio que os professores procuram diminuir através de metodologias interativas.“Cada novo conceito leva a uma aplicação ou a uma nova funcionalidade de um jogo”, explica o diretor de operações, contando que, por exemplo, ao final de seis meses no curso de aplicações, as crianças já conseguem criar um programa de mensagens instantâneas.
À semelhança da HappyCode, a Academia de Código Júnior é outro dos vários projetos que leva a programação às escolas.Para Madalena Virtuoso, gestora do projeto apoiado pela DGE, este tipo de iniciativas permite que a tecnologia deixe de ser um quebra-cabeças e abre caminho para uma próxima geração de adultos “mais informada e com maior capacidade de se adaptar”.
No mesmo sentido, António Silva considera que é cada vez mais importante que a escola se adeque aos desafios da sociedade.“Estamos em crer que as áreas da programação e da robótica poderão dar resposta a muitos dos desafios que os alunos de hoje e os homens e mulheres de amanhã irão encontrar no futuro”, sublinhou.
O diretor-geral, José Vítor Pedroso, acrescenta que este projeto é, inclusive, importante para dar resposta àquilo que foi desenhado como o perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória, publicado no dia 26 de julho.Pedro Teixeira elogia a introdução da programação no ensino básico, mas admite que ir além dos conteúdos básicos não é possível. “É difícil ensinar programação sem saber efetivamente programação e em Portugal não há recursos humanos”, lamenta.
Além das 786 as escolas públicas e privadas envolvidas na iniciativa da DGE, outras 235 escolas estão a participar no projeto de autonomia e flexibilidade curricular, nas quais estes conteúdos estão integrados na disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação.
No ano letivo de 2017/2018, a “Programação e Robótica no Ensino Básico” vai chegar a 64.692 alunos.Nesta iniciativa, a DGE conta com o apoio da Associação Nacional de Professores de Informática, Microsoft, Escola Superior de Educação de Setúbal e Universidade de Évora e Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.
O projeto que dá aos professores a possibilidade de ensinarem novos conteúdos, e ao qual aderiram 786 escolas públicas e privadas, estende-se agora até ao 9.º ano, depois de dois anos aberto apenas aos alunos do 1.º ciclo.
O diretor-geral da educação, José Vítor Pedroso, explicou à Lusa que são os próprios docentes das escolas que, contando com um acompanhamento permanente ‘online’ e vários encontros regionais com formadores, dão estas aulas.António Silva, coordenador da iniciativa “Programação e Robótica no Ensino Básico”, sublinha que o objetivo não é formar programadores, mas fazer com a programação seja mais um método de ensino do que uma disciplina.
As atividades do programa, centradas nas temáticas de segurança digital, cidadania digital e multidisciplinaridade, podem ser dinamizadas na oferta complementar, nas atividades de enriquecimento curricular ou na oferta de escola, mas a intenção é que os professores de todas as disciplinas adotem a programação e a robótica.“Queremos que os professores utilizem não apenas as metodologias tradicionais, mas que inovem com base nesta nova área”, contou o coordenador, apoiado pelo diretor-geral, que acrescentou o exemplo da criação de uma estação meteorológica, na disciplina de geografia.
Segundo José Vítor Pedroso, a aprendizagem destes conteúdos permite não só desenvolver o pensamento computacional, ao nível da algoritmia ou das sequências, mas também a capacidade de resolução de problemas, a resiliência e a utilização do método científico na abordagem a várias situações.
“Esta capacidade de análise é muito referida pelos próprios professores como uma vantagem do ensino da programação”, explica o diretor-geral que diz ter vindo a receber críticas muito positivas ao programa.António Silva acrescenta ainda o desenvolvimento das competências para o século XXI, como a comunicação ou o trabalho de equipa, considerando que “estas ‘soft skills’ são, de facto, aquilo a que a escola hoje em dia deve dar cada vez mais resposta”.
Foi também a olhar para estas competências transversais que surgiu, no início de 2017, a HappyCode, uma escola de programação de jogos, aplicações e robótica, cuja missão é “formar pensadores e criadores do século XXI”.
“Queremos mudar mentalidades, mudar a forma de ver a tecnologia e ajudar a criar uma nova geração de portugueses aptos a ter sucesso num mundo cada vez mais tecnológico”, disse à Lusa Pedro Teixeira, diretor de operações.
A HappyCode tem cursos a partir dos sete anos e aos dez as crianças começam já a aprender conceitos e linguagens de programação que se ensinam na faculdade, um desafio que os professores procuram diminuir através de metodologias interativas.“Cada novo conceito leva a uma aplicação ou a uma nova funcionalidade de um jogo”, explica o diretor de operações, contando que, por exemplo, ao final de seis meses no curso de aplicações, as crianças já conseguem criar um programa de mensagens instantâneas.
À semelhança da HappyCode, a Academia de Código Júnior é outro dos vários projetos que leva a programação às escolas.Para Madalena Virtuoso, gestora do projeto apoiado pela DGE, este tipo de iniciativas permite que a tecnologia deixe de ser um quebra-cabeças e abre caminho para uma próxima geração de adultos “mais informada e com maior capacidade de se adaptar”.
No mesmo sentido, António Silva considera que é cada vez mais importante que a escola se adeque aos desafios da sociedade.“Estamos em crer que as áreas da programação e da robótica poderão dar resposta a muitos dos desafios que os alunos de hoje e os homens e mulheres de amanhã irão encontrar no futuro”, sublinhou.
O diretor-geral, José Vítor Pedroso, acrescenta que este projeto é, inclusive, importante para dar resposta àquilo que foi desenhado como o perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória, publicado no dia 26 de julho.Pedro Teixeira elogia a introdução da programação no ensino básico, mas admite que ir além dos conteúdos básicos não é possível. “É difícil ensinar programação sem saber efetivamente programação e em Portugal não há recursos humanos”, lamenta.
Além das 786 as escolas públicas e privadas envolvidas na iniciativa da DGE, outras 235 escolas estão a participar no projeto de autonomia e flexibilidade curricular, nas quais estes conteúdos estão integrados na disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação.
No ano letivo de 2017/2018, a “Programação e Robótica no Ensino Básico” vai chegar a 64.692 alunos.Nesta iniciativa, a DGE conta com o apoio da Associação Nacional de Professores de Informática, Microsoft, Escola Superior de Educação de Setúbal e Universidade de Évora e Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.
terça-feira, 24 de outubro de 2017
"O Paradoxo do nosso Tempo"
Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios, dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente.
Multiplicamos os nossos bens, mas reduzimos os nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos frequentemente.
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver. Adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.
Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio. Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não o nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.
Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos. Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; excesso de reuniões e relações vazias. Esta é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados. Esta é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas".
Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa. Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.
Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre. Lembre-se dar um abraço carinhoso num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer. Lembre-se de dizer "eu te amo" à sua companheira (o) e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, Ame... AME MUITO. Um beijo e um abraço curam a dor, quando vem de lá de dentro. O segredo da vida não é ter tudo que você quer, mas AMAR tudo que você tem !!!
Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão ao seu lado."
Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio. Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não o nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.
Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos. Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; excesso de reuniões e relações vazias. Esta é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados. Esta é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas".
Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa. Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.
Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre. Lembre-se dar um abraço carinhoso num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer. Lembre-se de dizer "eu te amo" à sua companheira (o) e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, Ame... AME MUITO. Um beijo e um abraço curam a dor, quando vem de lá de dentro. O segredo da vida não é ter tudo que você quer, mas AMAR tudo que você tem !!!
Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão ao seu lado."
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
Mostra de Teatro de Almada 2017
A 21.ª Mostra de Teatro de Almada (MTA) irá juntar cerca de duas dezenas de grupos de teatro do concelho, para celebrar a dramaturgia de textos originais, em comunhão com clássicos de William Shakespeare e Bertolt Brecht.

A iniciativa vai decorrer de 3 a 19 de Novembro, conta com um total de 25 encenações, acompanhadas de uma 'Mostra.Ponto de Encontro', que tem por objetivo ser "um momento de convívio entre artistas e público", depois das representações no Teatro António Assunção, segundo o texto de apresentação hoje divulgado pela organização, que reúne a Câmara Municipal de Almada e grupos de teatro locais.
O Mercado Municipal da Trafaria irá também acolher 'memorabilia' reunida ao longo dos 45 anos do Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria (GITT), tendo a oportunidade de expor "guarda-roupa, adereços cénicos, partes de cenário e material cénico", preservados até aos dias de hoje, e de exibir excertos das peças organizadas pelo grupo amador.
O espetáculo inaugural, 'Rei Ubu', é uma representação do texto original do francês Alfred Jarry (1873-1907), no qual o protagonista é retratado como "uma personagem excessiva (...) que possui todas as qualidades necessárias ao exercício despótico do poder", fazendo-o "um objeto teatral versátil e perfeitamente atualizável" - numa era de "pós-verdade" -, em que "factos passam a ser menos decisivos do que (...) opiniões [e] a manipulação da informação é aceite por largas faixas da população", aponta a sinopse da programação.
A agenda da mostra prossegue com duas outras estreias, 'Revolução no Frigorífico' - "uma peça infantil que aborda o tema da alimentação saudável de uma forma divertida, tanto para crianças como para adultos" - e 'Escuta Aqui Meu Ladrão', que dá título a "uma comédia de Paulo Sacaldassy, com um final surpreendente", ambas por parte da companhia de teatro Cénico da Incrível Almadense, agendadas para dia 04.
'Migrações' é o "título provisório" da última apresentação a entrar em palco, no dia 19, um "trabalho em processo" que narra "na primeira pessoa a vinda de Moçambique para Portugal" e as dificuldades que a mudança implica na tentativa de "erguer um sentido para o fluxo de palavras e de frases, num ritmo fora da área conversacional".
Organizada pela Câmara de Almada, com grupos de teatro locais desde 1996, a MTA envolve ainda companhias como Alpha Teatro, Actos Urbanos/Teatro de Areia e Teatro&Teatro de O Mundo do Espectáculo, EmbalArte, Grupo da Associação Cultural Manuel da Fonseca, Lagarto Amarelo, Ninho de Víboras, Novo Núcleo de Teatro, O Outro Lado, O Grito&Rugas, Oficina de Teatro de Almada, Teatro ABC.PI, Teatro Extremo e Teatro de Papel.
23/10/2017
A agenda da mostra prossegue com duas outras estreias, 'Revolução no Frigorífico' - "uma peça infantil que aborda o tema da alimentação saudável de uma forma divertida, tanto para crianças como para adultos" - e 'Escuta Aqui Meu Ladrão', que dá título a "uma comédia de Paulo Sacaldassy, com um final surpreendente", ambas por parte da companhia de teatro Cénico da Incrível Almadense, agendadas para dia 04.
'Migrações' é o "título provisório" da última apresentação a entrar em palco, no dia 19, um "trabalho em processo" que narra "na primeira pessoa a vinda de Moçambique para Portugal" e as dificuldades que a mudança implica na tentativa de "erguer um sentido para o fluxo de palavras e de frases, num ritmo fora da área conversacional".
Organizada pela Câmara de Almada, com grupos de teatro locais desde 1996, a MTA envolve ainda companhias como Alpha Teatro, Actos Urbanos/Teatro de Areia e Teatro&Teatro de O Mundo do Espectáculo, EmbalArte, Grupo da Associação Cultural Manuel da Fonseca, Lagarto Amarelo, Ninho de Víboras, Novo Núcleo de Teatro, O Outro Lado, O Grito&Rugas, Oficina de Teatro de Almada, Teatro ABC.PI, Teatro Extremo e Teatro de Papel.
23/10/2017
domingo, 22 de outubro de 2017
Felicidade Facebook e Solidão
Ou você está no “face” ou não está no mundo. Esta é a era da comunicação, em que se deve estar conectado para que haja o sentimento de pertencimento ao grupo. Todos vivemos na chamada grande rede, e nela tudo parece fazer sentido, afinal, todos estão sorrindo. A rede parece garantir a felicidade, logo se você não está na rede, você não só não está no mundo, como também não é feliz. Mas, será que essa felicidade Facebook é real?

Como dito, no face todos estão sorrindo (você já viu alguém triste?), tudo parece fazer sentido, é como se a vida real se tivesse tornado uma extensão, um plug-in da rede. Melhor, um aplicativo que baixa-se no Play Store. Entretanto, se a vida se deslocou para o face, se a felicidade está no face, o que acontece na vida real?
Esses são questionamentos para quem conseguiu manter-se na superfície. A resposta para as perguntas é simples – a felicidade Facebook não é real e apenas esconde a solidão que nos encontramos. O sucesso do Facebook é determinado pela facilidade em desconectar, de modo que não há uma preocupação em criar laços, mas apenas em se manter “conectado”. Sendo assim, como não crio laços, tenho a necessidade que o mundo me ofereça algo novo o tempo inteiro.
Por outras palavras, passamos pela vida sem que nós e os outros tenham importância e, portanto, tentamos substituir a qualidade dos relacionamentos pela quantidade. Desse modo, precisamos postar 48 fotos por dia, como se precisássemos da aprovação do outro, quando, na verdade, vivemos apenas uma representação e diante disso, não vivemos nada.
Ou seja, como na verdade não sou feliz, preciso compartilhar tudo a fim de que pelo olhar do outro haja a aprovação de que a minha vida possui o valor necessário para se sustentar. E como todos vivem uma fantasia, todos mentem uns para os outros, como se fosse condição necessária para manter a felicidade de todos.
Pelo medo de encarar o vazio que nos tornamos, preenchemos o nosso interior oco com mensagens e áudios pelo WhatsApp. Assim, toda a barafunda do Facebook é apenas para esconder aquilo que eu não quero ver, isto é, o meu vazio e como estamos cada vez mais sozinhos, muito embora, paradoxalmente viva-se na era da grande rede. Isto é, temos a necessidade de postar e compartilhar o maior número de coisas, para que os likes preencham o nosso vazio existencial.
É preciso que as pessoas curtam a vida que eu não estou curtindo, digo mais, é condição necessária ter pessoas legitimando aquilo que eu gostaria que fosse, para que o teatro seja mantido. Buscando o melhor enquadramento nas fotos, escondo o vazio que sou, a solidão que atormenta e o distanciamento das relações.
Essa urgência em ter pessoas legitimando aquilo que eu gostaria que fosse, impede-me de refletir sobre a própria vida, ou seja, não há uma tomada de consciência, em que o indivíduo é o dono do próprio destino, já que está sempre submetido ao espetáculo, pois este garante aplausos, mesmo que não passe de uma simulação.
Enquanto não acordarmos, estaremos mais ligados à internet, ao teatro, mais sozinhos e, portanto, desligados do real e das pessoas. É necessário ter a consciência do ser, pois não é fingindo ser, e, logo, não sendo, que há relações, tampouco, felicidade, pois essa reafirmação de um eu que não existe implica apenas a solidão que nos aflige, as ilhas emotivas que nos tornamos.
Imersos nesse espetáculo, talvez, não consigamos perceber que quanto mais desesperados por likes, mais sozinhos estamos e que, embora, a internet e o Facebook sejam instrumentos poderosíssimos, os quais podem ser utilizados como ferramentas de aproximação, estamos os substituindo pela vida real, e pior, por uma vida que não existe.
Esse desespero por likes só representa indivíduos cada vez mais solitários. Isso acontece pela dificuldade em estabelecer relações reais, e, por conseguinte, fortes; de encarar a si mesmo, a própria consciência e admitir que a vida não está passando de uma encenação.
A felicidade Facebook representa uma sociedade doente, mas que busca esconder-se. Faz-se necessário coragem para encarar-se e viver o que realmente somos, dizer o que realmente estamos sentido, fazer da rede uma extensão da vida real e não o contrário. Sabemos o quanto isso é difícil, pois temos medo de nos encarar, mas enquanto esse medo não for superado, continuaremos alimentando o palco que a vida se transformou, pois como diz o poeta:
“Esse mundo é um saco de fingimento”.
“Esse mundo é um saco de fingimento”.
22/10/2017
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Ana Margarida de Carvalho distinguida pela Associação de Escritores
A romancista Ana Margarida de Carvalho venceu novamente o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), desta vez com a obra Não se pode morar nos olhos de um gato.

Ana Margarida de CarvalhoCréditos/ The Book Lovers
Num comunicado, a APE esclarece que «o júri, constituído por José Correia Tavares, que presidiu, Isabel Cristina Rodrigues, José Carlos Seabra Pereira, Luís Mourão, Paula Mendes Coelho e Teresa Carvalho, ao reunir-se pela quarta vez, deliberou por maioria, pois Luís Mourão votou em A Gorda, de Isabela Figueiredo».
Ana Margarida de Carvalho, que recebe pela segunda vez o Grande Prémio de Romance e Novela da APE, é finalista do Prémio Oceanos, do Brasil, com esta obra.
Publicado pela Teorema, o título Não se pode morar nos olhos de um gato foi considerado «livro do ano» pelo jornal Público e nomeado para «melhor livro de ficção narrativa» aos Prémios Autores, da Sociedade Portuguesa de Autores, este ano.
Ana Margarida de Carvalho nasceu em Lisboa, é licenciada em Direito e, nas eleições autárquicas de 1 de Outubro, foi eleita pela CDU à Assembleia Municipal de Lisboa. Como jornalista, recebeu, entre outros, os prémios Gazeta Revelação do Clube de Jornalistas de Lisboa, o do Clube de Jornalistas do Porto e o da Casa de Imprensa.
O seu primeiro romance, Que Importa a Fúria do Mar, venceu por unanimidade o Grande Prémio de Romance e Novela APE, em 2013.
Em parceria com Sérgio Marques publicou, em 2015, o livro infanto-juvenil A Arca do É.
Além de Ana Margarida de Carvalho e de Isabela Figueiredo, eram finalistas do Grande Prémio de Romance e Novela APE Alexandra Lucas Coelho, Mafalda Ivo Cruz e Paulo Varela Gomes.
Ana Margarida de Carvalho junta-se hoje à galeria de autores já distinguidos por duas vezes com o Grande Prémio de Romance e Novela da APE: Agustina Bessa-Luís, Maria Gabriela Llansol, António Lobo Antunes, Vergílio Ferreira e Mário Cláudio.
Mário de Carvalho, David Mourão-Ferreira, José Saramago, José Cardoso Pires, Rui Cardoso Martins, Vasco Graça Moura e Lídia Jorge foram alguns dos autores que também receberam o prémio.
De acordo com a APE, este ano apresentaram-se 93 livros a concurso, publicados em 2016, com a chancela de 44 editoras.
O prémio tem o valor pecuniário de 15 000 euros.
quarta-feira, 18 de outubro de 2017
Castelo de Coina
O CASTELO DO REI DO LIXO
(Coina, Barreiro)
O Palácio do Rei do Lixo, também conhecido como a Torre de Coina, ou Palácio da Bruxa, está situado na freguesia da Coina, Barreiro, sendo bem visível da estrada nacional n.º 10.
O Palácio do Rei do Lixo, também conhecido como a Torre de Coina, ou Palácio da Bruxa, está situado na freguesia da Coina, Barreiro, sendo bem visível da estrada nacional n.º 10.

A quinta onde se encontra o palácio foi propriedade rural, no século XVIII, de D. Joaquim de Pina Manique, irmão do intendente de D. Maria I, Diogo Inácio Pina Manique. A propriedade foi depois adquirida, no século XIX, por Manuel Martins Gomes Júnior, comerciante de Santo António da Charneca, que em 1910 mandou construir o palácio, diz-se, para que “conseguisse avistar a propriedade que possuía em Alcácer do Sal”.
Manuel Martins Gomes Júnior era conhecido como o "Rei do Lixo", devido ao exclusivo que tinha para a recolha dos detritos da cidade de Lisboa, e tendo feito fortuna a comprar e vender lixo. Profundamente ateu, Manuel Gomes Júnior transformou a ermida da propriedade em armazém e estábulo e baptizou a herdade de "Quinta do Inferno". Posteriormente, e através de António Zano Leite Ramada Curto, genro do "Rei do Lixo", a propriedade tornou-se numa importante casa agrícola. Em 1957, foi vendida aos grandes proprietários e industriais de curtumes Joaquim Baptista Mota e António Baptista, que constituíram a Sociedade Agrícola da Quinta de S. Vicente e transformaram a propriedade numa importante exploração pomícola.
Já na década de 70, a propriedade foi adquirida por António Xavier de Lima, conhecido construtor da margem sul do Tejo, que, segundo o presidente da Junta de Freguesia de Coina, “comprou toda a Quinta de S. Vicente e os terrenos adjacentes às quintas, tornando-se assim proprietário”. Em 1988, ocorreu um incêndio de contornos misteriosos que veio contribuir para o estado degradado do palácio, na altura já desabitado há 18 anos.
A torre ainda pertence actualmente à empresa Xavier de Lima, e não se conhecem planos para a sua reabilitação.
(Em 2013)
sábado, 14 de outubro de 2017
O Poder do Silêncio
Pensar antes de reagir é uma das ferramentas mais nobres do ser humano nas relações interpessoais.
Nos primeiros trinta segundos de tensão, cometemos os maiores erros de nossas vidas, falamos palavras e temos gestos diante das pessoas que amamos que jamais deveríamos expressar.

Nesse rápido intervalo de tempo, somos controlados pelas zonas de conflitos, impedindo o acesso de informações que nos subsidiariam a serenidade, a coerência intelectual, o raciocínio crítico.Um médico pode ser muito paciente com as queixas de seus pacientes, mas muitíssimo impaciente com as reclamações de seus filhos.Pensa antes de reagir diante de estranhos, mas não diante de quem ama.Não sabe fazer a oração dos sábios, nos focos de tensão, o silêncio.Se vivermos debaixo da ditadura da resposta, da necessidade compulsiva de reagir quando pressionados, cometeremos erros, alguns muito graves.Só o silêncio preserva a sabedoria quando somos ameaçados, criticados, injustiçados. Cada vez mais as pessoas estão perdendo o prazer de silenciar, de se interiorizar, refletir, meditar.
O dito popular de contar até dez antes de reagir é imaturo, não funciona.O silêncio não é se aguentar para não explodir, o silêncio é o respeito pela própria inteligência.Quem faz a oração dos sábios não é escravo do binômio do bateu-levou.Quem bate no peito e diz que não leva desaforo pra casa, não pensa nas consequências de seus atos.Quem se orgulha de vomitar para fora tudo que pensa, machuca quem mais deveria ser amado, não conhece a linguagem do auto controle.
Decepções fazem parte do cardápio das melhores relações.Nesse cardápio precisamos do tempero do silêncio para preparar o molho da tolerância.Para conviver com máquinas não precisamos de silêncio nem da tolerância, mas com seres humanos elas são fundamentais.Ambos são frutos nobres da arte de pensar antes de reagir. Preserva a saúde psíquica, a consciência, a tranquilidade.
O silêncio e a tolerância são o vinho dos fortes, a reação impulsiva é a embriaguez dos fracos.O silêncio e a tolerância são as armas de quem pensa, a reação instintiva é a arma de quem não pensa.É muito melhor ser lento no pensar do que rápido em machucar, é preferível conviver com uma pessoa simples, sem cultura académica, mas tolerante, do que com um ser humano de ilibada cultura saturada de radicalismo, egocentrismo, estrelismo.
Sabedoria e tolerância não se aprendem nos bancos de uma escola, mas no traçado da existência.Ninguém é digno de maturidade se não usar suas incoerências para produzi-la.Todo ser humano passa por turbulências na vida. Para alguns falta o pão na mesa; a outros a alegria na alma. Uns lutam para sobreviver, outros são ricos e abastados, mas mendigam o pão da tranquilidade e da felicidade.
Os milionários quiseram comprar a felicidade com seu dinheiro, os políticos quiseram conquistá-la com seu poder, as celebridades quiseram seduzi-la com sua fama, mas ela não se deixou achar.Balbuciando aos ouvidos de todos, disse: “…Eu me escondo nas coisas simples e anónimas…”.
Todos fecham os seus olhos quando morrem, mas nem todos enxergam quando estão vivos.
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
Ruas decoradas pela natureza
Apreciar a natureza sempre é um hábito relaxante e renovador. Caminhar pelo parque, por um bosque ou até mesmo em ruas mais calmas é um benefício para a saúde corporal e a mental.

O ar puro das árvores e o barulho das folhas traz uma calmaria que alivia as tensões do dia a dia. E isso não é resultado de pesquisa, pois a vivência com a natureza é comprovada como benéfica há muito tempo.
O florescer das árvores nos relembra que a primavera chegou, que uma vida nova nasce para os próximos meses. Caminhar por ruas inteiramente arborizadas pode ser hipnotizante.

terça-feira, 10 de outubro de 2017
Natureza e Biodiversidade
AMBIENTALISTAS QUEREM NOVAS SOLUÇÕES PARA A CONSERVAÇÃO DA NATUREZA E DA BIODIVERSIDADE
Na sua apreciação da revisão do Ministério do Ambiente da Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, que esteve em consulta pública até 30 de Setembro, a ZERO crítica “a visão territorialmente muito confinada às áreas classificadas” e as “limitações conceptuais que não seriam expectáveis” do documento.

Em causa está ainda o facto de a Estratégia não ter contado, até ao momento, “com os contributos de outros organismos públicos, resultando apenas de um exercício de reflexão de apresentação circunscrito a uma equipa interna do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, o que diminuiu a sua ambição e alcance estratégico”.
Para a ZERO, “é fundamental utilizar esta oportunidade única de revisão da ENCNB para aprofundar e fazer evoluir a atual Rede Fundamental de Conservação da Natureza”, posicionando “Portugal na liderança europeia em matéria de ordenamento do território, numa altura em que começa a ser preparada a Estratégia Europeia de Infraestruturas Verdes”.
A Associação defende ainda que “teria sido essencial efetuar um relatório da Estratégia Nacional anterior com um balanço do que foi ou não concretizado nos últimos 16 anos” e lamenta que se continue a “insistir num quadro de prescrição de soluções paliativas, transmitindo-se a ideia que o despovoamento das áreas classificadas não é inevitável e se resolve com mais investimento público e com uma maior facilitação dos usos e atividades económicas que condicionadas ou permitidas nos territórios, persistindo-se numa ideia que tem décadas de insucesso comprovado”.
De acordo com os ambientalistas, “só assim se explica a omissão total em relação ao potencial de renaturalização para criação de áreas para a vida selvagem – o denominado wilderness – uma solução de baixo custo que está a ser seguida um pouco por toda a Europa”.
O facto de não se mencionar “a possibilidade de ajustar a configuração da atual Rede Natura 2000 no território terrestre continental” e de “a preservação do solo e das águas subterrâneas” ser “completamente esquecida na proposta sujeita a discussão pública” também merecem a referência da ZERO.
A Associação defende que “os aspetos de financiamento da Estratégia deverão ser mais claros, elencando-se não apenas os fundos disponíveis, mas também explicitando uma quantificação das necessidades, e uma perspetiva de planeamento para o pós-2025”.
No comunicado da ZERO é proposta uma reflexão “para se adequarem os instrumentos financeiros, como o imposto municipal sobre imóveis, para discriminar positivamente os detentores de prédios rústicos integrados em áreas classificadas que proporcionem serviços de ecossistemas, e para se fazer uma avaliação dos atuais incentivos e subsídios públicos na conservação da biodiversidade, atendendo a que existem muitas perversidades na sua atribuição”.
10 de Outubro, 2017
Em causa está ainda o facto de a Estratégia não ter contado, até ao momento, “com os contributos de outros organismos públicos, resultando apenas de um exercício de reflexão de apresentação circunscrito a uma equipa interna do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, o que diminuiu a sua ambição e alcance estratégico”.
Para a ZERO, “é fundamental utilizar esta oportunidade única de revisão da ENCNB para aprofundar e fazer evoluir a atual Rede Fundamental de Conservação da Natureza”, posicionando “Portugal na liderança europeia em matéria de ordenamento do território, numa altura em que começa a ser preparada a Estratégia Europeia de Infraestruturas Verdes”.
A Associação defende ainda que “teria sido essencial efetuar um relatório da Estratégia Nacional anterior com um balanço do que foi ou não concretizado nos últimos 16 anos” e lamenta que se continue a “insistir num quadro de prescrição de soluções paliativas, transmitindo-se a ideia que o despovoamento das áreas classificadas não é inevitável e se resolve com mais investimento público e com uma maior facilitação dos usos e atividades económicas que condicionadas ou permitidas nos territórios, persistindo-se numa ideia que tem décadas de insucesso comprovado”.
De acordo com os ambientalistas, “só assim se explica a omissão total em relação ao potencial de renaturalização para criação de áreas para a vida selvagem – o denominado wilderness – uma solução de baixo custo que está a ser seguida um pouco por toda a Europa”.
O facto de não se mencionar “a possibilidade de ajustar a configuração da atual Rede Natura 2000 no território terrestre continental” e de “a preservação do solo e das águas subterrâneas” ser “completamente esquecida na proposta sujeita a discussão pública” também merecem a referência da ZERO.
A Associação defende que “os aspetos de financiamento da Estratégia deverão ser mais claros, elencando-se não apenas os fundos disponíveis, mas também explicitando uma quantificação das necessidades, e uma perspetiva de planeamento para o pós-2025”.
No comunicado da ZERO é proposta uma reflexão “para se adequarem os instrumentos financeiros, como o imposto municipal sobre imóveis, para discriminar positivamente os detentores de prédios rústicos integrados em áreas classificadas que proporcionem serviços de ecossistemas, e para se fazer uma avaliação dos atuais incentivos e subsídios públicos na conservação da biodiversidade, atendendo a que existem muitas perversidades na sua atribuição”.
10 de Outubro, 2017
10 de Outubro, 2017
(link is external) da revisão do Ministério do Ambiente da Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, que esteve em consulta pública até 30 de setembro, a ZERO crítica “a visão territorialmente muito confinada às áreas classificadas” e as “limitações conceptuais que não seriam expectáveis” do
domingo, 8 de outubro de 2017
Dia 8 de outubro de 1998 – o dia que distinguiria a literatura portuguesa internacionalmente, com o Prémio Nobel atribuído ao escritor José Saramago.
“José Saramago, que através de parábolas sustentadas pela imaginação, compaixão e ironia torna constantemente compreensível uma realidade ilusória”. Foi assim que a Academia Sueca pronunciou o primeiro e único português vencedor da distinção até hoje.

José de Sousa Saramago, nasceu a 16 de novembro de 1922 - embora no registo conste dia 18 como dia de nascimento - na vila da Azinhaga, Golegã. Foi serralheiro, tradutor, editor, jornalista, fez de tudo um pouco, mas sempre deu à escrita um especial destaque. Desprezou regras de pontuação ajustando a caneta ao discurso oral, o que afastou muitos, mas atraiu outros tantos. Era comunista assumido e sem nunca abdicar da sua identidade, criticava a sociedade e a política por vezes com tom corrosivo e colérico, mas também de forma sarcástica e subtil.
Com mais de cinquenta obras publicadas, tudo começou em 1947 com o livro ‘Terra do Pecado’, seguiu-se o ‘Manual de Pintura e Caligrafia’, em 1977, e ao longo dos anos, obras essenciais como ‘Memorial do Convento’, ‘Ensaio sobre a Cegueira’ ou ‘Todos os Nomes’. Responsabilizou-se por contar os episódios de vida do único heterónimo de que Fernando Pessoa se esqueceu de matar com ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’, em 1984, e, em 1991, enfrentou duras críticas com a publicação de ‘O Evangelho segundo Jesus Cristo’, um livro que criticava a religião e o que esta representava, e que depois do veto do governo português à candidatura da obra ao Prémio Literário Europeu, culminou na mudança do escritor e Pilar del Rio para a ilha espanhola de Lanzarote, local onde viveu até à sua morte, em Junho de 2010, vítima de uma leucemia crónica.
Dezanove anos depois, os seus livros continuam a ser publicados e traduzidos em mais de 40 línguas, sendo um dos autores de língua portuguesa mais traduzidos.
Dezanove anos depois, os seus livros continuam a ser publicados e traduzidos em mais de 40 línguas, sendo um dos autores de língua portuguesa mais traduzidos.
sábado, 7 de outubro de 2017
Sagres - Vila do Bispo - Distrito de Faro
Sagres exibe algumas das mais impressionantes paisagens do Algarve. A força da natureza é tão forte na ponta mais a sudoeste de toda a Europa continental que os visitantes logo percebem porque os antigos colonos a apelidaram de “sagrada”.porque foi o ponto de partida dos exploradores portugueses no século XV rumo ao desconhecido e como conseguiu manter a sua fascinante beleza natural.

A paisagem selvagem e acidentada de Sagres a força e atracção do mar continuam a encantar os visitantes.
A história de Sagres foi definida pela sua localização geográfica e pelos magníficos promontórios de Sagres e do Cabo de S. Vicente. A ideia de que a terra termina aqui nestes promontórios com 50 metros de altura que se precipitam dramaticamente no mar foi uma fonte constante de mistério e atracção para os sucessivos colonizadores da região, conforme atestado pelos diversos vestígios da sua presença. A figura mais influente da história de Sagres foi o Infante D. Henrique, que aí se inspirou para embarcar nas suas viagens de descoberta, trazendo fama à região e levando à fundação da Vila do Infante. Sob o seu comando, a zona transformou-se num centro de actividade marítima, onde se reuniam cartógrafos, astrónomos e marinheiros, onde se construíam caravelas e onde se deu início à exploração da costa africana.
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
A Natureza apodera-se do que é seu
Os humanos foram colocados neste mundo para medir forças com a natureza, muitas vezes ou praticamente sempre perdendo a luta... Se os humanos mantêm as suas forças para a dominar e mantêm a sua presença, podem tentar evitar os avanços inevitáveis da natureza, se não, tudo volta à sua origem: A natureza.
As 6 Fotos a seguir mostram situações de abandono dos humanos, em que a natureza incontrolável se apodera do que afinal sempre foi dela.
Navio Mar Sem Fim

O navio brasileiro viajou até à Antártida para filmar um documentário, mas os ventos fortes fizeram-no afundar na água gelada. Agora está assim qual fantasma nas águas
««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««
Hong Kong

Cimento salpicado por manchas verdes.
««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««
Paris

Linha férrea onde já não passa o comboio e uma cama de flores rosas formou um manto.

««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««
Tailândia

Um centro comercial fechado que se transformou num aquário natural
««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««
Navio SS Ayrfield - Sidney

O navio SS Ayrfield foi deixado ao abandono em Homebush Bay, Sidney (Austrália). A natureza transformou-o numa autêntica floresta flutuante nos últimos 102 anos
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Porto Covo - Litoral Alentejano
Entardecer em Porto Covo - Sines
Porto Covo é uma freguesia do concelho de Sines, com 48,73 km² de área e 1 038 habitantes (2011). A sua densidade populacional é 21,3 hab/km².
A Ilha do Pessegueiro, com o seu forte, faz geograficamente parte do território da freguesia de Porto Covo.

A freguesia de Porto Covo foi criada em 31 de Dezembro de 1984, por desanexação da freguesia de Sines, até então a única do concelho do mesmo nome (o qual deixava assim de ser dos sete municípios portugueses com apenas uma freguesia a integrar o seu território). Não foi extinta pela reforma de 2013 pois a agregação de freguesias não atingiu os municípios com menos de 4 freguesias.
Porto Covo é uma freguesia do concelho de Sines, com 48,73 km² de área e 1 038 habitantes (2011). A sua densidade populacional é 21,3 hab/km².
A Ilha do Pessegueiro, com o seu forte, faz geograficamente parte do território da freguesia de Porto Covo.

A freguesia de Porto Covo foi criada em 31 de Dezembro de 1984, por desanexação da freguesia de Sines, até então a única do concelho do mesmo nome (o qual deixava assim de ser dos sete municípios portugueses com apenas uma freguesia a integrar o seu território). Não foi extinta pela reforma de 2013 pois a agregação de freguesias não atingiu os municípios com menos de 4 freguesias.
Livraria Lello - Porto
Concebido segundo projeto do engenheiro Xavier Esteves, a Livraria Lello é um dos mais emblemáticos edifícios do neogótico portuense, destacando-se fortemente na paisagem urbana envolvente. Trata-se de um conjunto em que a arquitetura e os elementos decorativos deixam transparecer o estilo dominante no início de século XX.
No interior, os arcos quebrados apoiam-se nos pilares em que, sob baldaquinos rendilhados, o escultor Romão Júnior esculpiu os bustos dos escritores Antero de Quental, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Teófilo Braga, Tomás Ribeiro e Guerra Junqueiro. Os tetos trabalhados, o grande vitral que ostenta o monograma e a divisa da livraria "Decus in Labore" e a escadaria de grandes dimensões de acesso ao primeiro piso são as marcas mais significativas da livraria.
As escadarias da Lello também são conhecidas por ser a inspiração da livraria onde Harry Potter conheceu Gilderoy Lockhart no livro "Harry Potter e a câmera dos segredos", já que J.K. Rowling chegou a morar na cidade do Porto.
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
Festival Quinzena de Dança de Almada - International Dance Festival
O Festival Quinzena de Dança de Almada - International Dance Festival começa na sexta-feira 29/09/2017 com o programa 'Coevos', composto por coreografias de Carla Jordão, Luís Marrafa e Ricardo Ambrózio, prosseguindo até 21 de Outubro.

Criado em 1992, o festival tem como objetivo oferecer ao público um conjunto de eventos representativos da dança contemporânea nacional e internacional, segundo a organização.
Além dos espetáculos, o festival organiza 'workshops', exposições, encontros, vídeodança, reunindo companhias e criadores independentes de dança contemporânea de todo o mundo, de coreógrafos a bailarinos.
O festival abre na sexta-feira e apresenta também, no sábado, às 21h30, o programa 'Coevos', no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada.
A 4 de outubro será a vez do programa 'DesasSossego' e 'Instructions', de Carla Jordão, Stephanie Miracle, seguido de conversa com o público, no Auditório Fernando Lopes-Graça.
A 6 de outubro, à mesma hora, 'Fragile', pelo Vivo Ballet, com coreografia de Enzo Celli, apresenta-se no mesmo auditório e, no dia seguinte, 'Reviravoltas' e 'Viagem', respetivamente de Francisco Rousseau com Rui Reis Lopes, e Beatriz Lourenço com Mariana Dias.
'Fobos', pela Companhia de Dança de Almada, com coreografia de Bruno Duarte, apresenta-se a 10 e 11 de outubro, pelas 10h30, no Cine-teatro Academia Almadense, onde também estará 'Light and Water', com coreografia de Melita Spahic Bezjak, a 13 de outubro, pela companhia Free Dance.
Entre outros eventos, a 14 de Outubro, no Cine-teatro Academia Almadense, às 17h00, decorrerá uma apresentação de projetos de formação da Companhia de Dança de Almada, por Rita Judas e Susana Rosendo.
Criado em 1992, o festival tem como objetivo oferecer ao público um conjunto de eventos representativos da dança contemporânea nacional e internacional, segundo a organização.
Além dos espetáculos, o festival organiza 'workshops', exposições, encontros, vídeodança, reunindo companhias e criadores independentes de dança contemporânea de todo o mundo, de coreógrafos a bailarinos.
O festival abre na sexta-feira e apresenta também, no sábado, às 21h30, o programa 'Coevos', no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada.
A 4 de outubro será a vez do programa 'DesasSossego' e 'Instructions', de Carla Jordão, Stephanie Miracle, seguido de conversa com o público, no Auditório Fernando Lopes-Graça.
A 6 de outubro, à mesma hora, 'Fragile', pelo Vivo Ballet, com coreografia de Enzo Celli, apresenta-se no mesmo auditório e, no dia seguinte, 'Reviravoltas' e 'Viagem', respetivamente de Francisco Rousseau com Rui Reis Lopes, e Beatriz Lourenço com Mariana Dias.
'Fobos', pela Companhia de Dança de Almada, com coreografia de Bruno Duarte, apresenta-se a 10 e 11 de outubro, pelas 10h30, no Cine-teatro Academia Almadense, onde também estará 'Light and Water', com coreografia de Melita Spahic Bezjak, a 13 de outubro, pela companhia Free Dance.
Entre outros eventos, a 14 de Outubro, no Cine-teatro Academia Almadense, às 17h00, decorrerá uma apresentação de projetos de formação da Companhia de Dança de Almada, por Rita Judas e Susana Rosendo.
terça-feira, 19 de setembro de 2017
Somos todos grandes fingidores mascarados
Pensar Contemporâneo
Sou do tipo de pessoa que quando cisma com uma música, escuta repetidamente por horas, dias seguidos. Aconteceu comigo isso recentemente com a versão da música The Great Pretender cantada pelo Freddie Mercury. A música é bem antiga, dos anos cinquenta, originalmente gravada pelo The Platters. A versão do Freddie Mercury tocou fundo na minha alma. Claro, não é para menos. Tudo o que ele cantava virava ouro. Freddie tinha uma capacidade incrível de dar a entonação e a emoção exatas a cada uma das palavras da música.
Sou do tipo de pessoa que quando cisma com uma música, escuta repetidamente por horas, dias seguidos. Aconteceu comigo isso recentemente com a versão da música The Great Pretender cantada pelo Freddie Mercury. A música é bem antiga, dos anos cinquenta, originalmente gravada pelo The Platters. A versão do Freddie Mercury tocou fundo na minha alma. Claro, não é para menos. Tudo o que ele cantava virava ouro. Freddie tinha uma capacidade incrível de dar a entonação e a emoção exatas a cada uma das palavras da música.

Essa música que é tida como romântica ganhou um significado novo na voz dele. Para mim, mais parecia que ele não estava apenas queixando-se de uma dor de amor. Ele estava dizendo ao mundo inteiro: eu sou um fingidor, vivo nessa hipocrisia que é a sociedade, sorrindo quando estou triste, fingindo alegria, mas corroído por dentro.
“Ah sim, eu sou um grande fingidor, fingindo que eu estou bem. Minha carência é tanta que eu finjo demais, estou sozinho, mas ninguém percebe”, diz a música em uma tradução livre.
Pensando muito sobre essa letra, lembrei-me de uma crônica de Clarice Lispector, do livro A Descoberta do Mundo. A crônica, chamada Persona, discorre sobre a questão das máscaras que usamos no mundo. Mas Clarice deixa claro a necessidade das máscaras.
“Escolher a própria máscara é o primeiro gesto voluntário humano. E solitário. Mas quando enfim se afivela a máscara daquilo que se escolheu para representar-se e representar o mundo, o corpo ganha uma nova firmeza, a cabeça ergue-se altiva como a de quem superou um obstáculo. A pessoa é.”
A máscara é necessária, é a proteção, o escudo que usamos. Não necessariamente a máscara é hipócrita e falsa, no mau sentido. Às vezes ela é; muitas, talvez. Mas muitas vezes, ela é como uma roupa que nos protege do mundo, das coisas que nos agridem, das pessoas, de nós mesmos. Precisamos usar a máscara, para conter o vulcão que somos nós por dentro. A máscara nos torna pessoas, como diz Clarice, porque contém esse tsunami que temos dentro de nós. É como a pele que protege a carne viva.
“Ah sim, eu sou um grande fingidor, fingindo que eu estou bem. Minha carência é tanta que eu finjo demais, estou sozinho, mas ninguém percebe”, diz a música em uma tradução livre.
Pensando muito sobre essa letra, lembrei-me de uma crônica de Clarice Lispector, do livro A Descoberta do Mundo. A crônica, chamada Persona, discorre sobre a questão das máscaras que usamos no mundo. Mas Clarice deixa claro a necessidade das máscaras.
“Escolher a própria máscara é o primeiro gesto voluntário humano. E solitário. Mas quando enfim se afivela a máscara daquilo que se escolheu para representar-se e representar o mundo, o corpo ganha uma nova firmeza, a cabeça ergue-se altiva como a de quem superou um obstáculo. A pessoa é.”
A máscara é necessária, é a proteção, o escudo que usamos. Não necessariamente a máscara é hipócrita e falsa, no mau sentido. Às vezes ela é; muitas, talvez. Mas muitas vezes, ela é como uma roupa que nos protege do mundo, das coisas que nos agridem, das pessoas, de nós mesmos. Precisamos usar a máscara, para conter o vulcão que somos nós por dentro. A máscara nos torna pessoas, como diz Clarice, porque contém esse tsunami que temos dentro de nós. É como a pele que protege a carne viva.
Precisamos da máscara durante a maior parte das nossas vidas. São poucas, muito poucas, as pessoas para as quais permitimos mostrar um pouco do que tem abaixo da máscara. São poucas as pessoas para quem nos mostramos nus de verdade.
E tem que ser assim. Já imaginou se ao encontrarmos com conhecidos abríssemos todas as nossas frestas, nos expuséssemos ao máximo? Não viveríamos nem dois dias para contar a história.
Por exemplo, um conhecido vem e pergunta como você está. Suponha que você está com o coração dilacerado, porque desenvolveu sentimentos por uma amiga que, por obra do acaso, já está saindo com outro. Você percebe que chegou atrasado. Você, então, responde ao conhecido: “nossa, não estou muito bem… para falar a verdade, não consigo tirar uma pessoa da minha cabeça, mesmo sabendo que ela não está disponível para mim! É doído, triste. Estou vivendo a vida como se nada estivesse acontecendo, mas na verdade, está doendo”.
O sujeito ia olhar para você e não saberia o que dizer. Provavelmente ia ficar assustado, como se tivesse lhe visto nu – e, bem, ele viu. A verdade é que para 99% das pessoas, nós dizemos que estamos bem. Para uma ou duas contamos que estamos gostando de alguém, mas nos apressamos em dizer que está tudo bem, porque a fila anda e o mundo está cheio de gente legal. Para uma, talvez, a gente chora e conta que está doendo – talvez, na análise. Essas, somente essas, conseguem ver através da máscara.
Por exemplo, um conhecido vem e pergunta como você está. Suponha que você está com o coração dilacerado, porque desenvolveu sentimentos por uma amiga que, por obra do acaso, já está saindo com outro. Você percebe que chegou atrasado. Você, então, responde ao conhecido: “nossa, não estou muito bem… para falar a verdade, não consigo tirar uma pessoa da minha cabeça, mesmo sabendo que ela não está disponível para mim! É doído, triste. Estou vivendo a vida como se nada estivesse acontecendo, mas na verdade, está doendo”.
O sujeito ia olhar para você e não saberia o que dizer. Provavelmente ia ficar assustado, como se tivesse lhe visto nu – e, bem, ele viu. A verdade é que para 99% das pessoas, nós dizemos que estamos bem. Para uma ou duas contamos que estamos gostando de alguém, mas nos apressamos em dizer que está tudo bem, porque a fila anda e o mundo está cheio de gente legal. Para uma, talvez, a gente chora e conta que está doendo – talvez, na análise. Essas, somente essas, conseguem ver através da máscara.
Com essas, há momentos em que a extrema solidão que vivemos, cada um de nós, consegue encontrar um ponto de conexão real. Quando dois mascarados deixam-se ver nus, há conexão, a solidão é aplacada.
“Sim, sou um grande fingidor, rindo e alegre como um palhaço. Eu pareço ser o que não sou, veja você! Eu estou usando meu coração como uma coroa”, diz a canção.
Isso também me lembrou o livro O homem que sabe, de Viviane Mosé, especificamente o capítulo referente ao erotismo e a transgressão, onde ela cita o livro O Erotismo, de Georges Bataille.
“Sim, sou um grande fingidor, rindo e alegre como um palhaço. Eu pareço ser o que não sou, veja você! Eu estou usando meu coração como uma coroa”, diz a canção.
Isso também me lembrou o livro O homem que sabe, de Viviane Mosé, especificamente o capítulo referente ao erotismo e a transgressão, onde ela cita o livro O Erotismo, de Georges Bataille.
“O homem é um ser que teme a si mesmo, porque, de sua consciência, se percebe como parte deste mar excessivo que é a vida. (…) A condição para a constituição de um si mesmo é a adoção de limites”.
O limite aqui são as máscaras, o contorno que colocamos ao redor da usina hidrelétrica que somos nós por dentro.
“Nossa ferida trágica, nossa dor constitutiva é que somos seres sozinhos: não estamos em continuidade com nossos pais, nem com nossos filhos. Entre um ser e outro, há um abismo, na impossibilidade de romper este abismo, buscamos senti-lo de perto, a partir da tentativa de retomar esta continuidade perdida”.
“O amor nos oferece a substituição do isolamento e da solidão, por meio de uma maravilhosa continuidade afetiva, moral entre dois seres”, diz outro trecho do livro de Mosé.
Acho até que, por isso, há tanto medo de relacionamentos profundos e verdadeiros. É necessário uma baita coragem para ficar nu – de alma, no caso -, na frente de outra pessoa. A fragilidade é muita. A sensibilidade é extrema. Tudo é intenso, tudo é prazer e dor. É preciso muita confiança para se expor assim. Quem confia assim hoje em dia? A verdade é que sentimo-nos seguros atrás de nossas máscaras.
O limite aqui são as máscaras, o contorno que colocamos ao redor da usina hidrelétrica que somos nós por dentro.
“Nossa ferida trágica, nossa dor constitutiva é que somos seres sozinhos: não estamos em continuidade com nossos pais, nem com nossos filhos. Entre um ser e outro, há um abismo, na impossibilidade de romper este abismo, buscamos senti-lo de perto, a partir da tentativa de retomar esta continuidade perdida”.
“O amor nos oferece a substituição do isolamento e da solidão, por meio de uma maravilhosa continuidade afetiva, moral entre dois seres”, diz outro trecho do livro de Mosé.
Acho até que, por isso, há tanto medo de relacionamentos profundos e verdadeiros. É necessário uma baita coragem para ficar nu – de alma, no caso -, na frente de outra pessoa. A fragilidade é muita. A sensibilidade é extrema. Tudo é intenso, tudo é prazer e dor. É preciso muita confiança para se expor assim. Quem confia assim hoje em dia? A verdade é que sentimo-nos seguros atrás de nossas máscaras.
“O erotismo, diz Bataille, é uma experiência de morte, porque é a experimentação da ausência de limites. Uma morte vislumbrada, experimentada como potência e não como ato, mas que nos faz reencontrar uma unidade perdida com a vida”, diz Mosé.
E parece que Clarice pensava algo na mesma linha. “Se bem que pode acontecer uma coisa que me humilha contar. É que depois de anos de verdadeiro sucesso com a máscara, de repente – ah, menos que de repente, por causa de um olhar passageiro ou uma palavra ouvida – de repente a máscara de guerra de vida cresta-se toda no rosto, como lama seca, e os pedaços irregulares caem como uma ruído oco no chão. Eis o rosto agora nu, maduro, sensível quando já não era mais para ser. E ele chora em silêncio para não morrer. Pois nessa certeza sou implacável: este ser morrerá. A menos que renasça até que dele se possa dizer ‘esta é uma pessoa’.
TEXTO DE Juliana Santin
TEXTO DE Juliana Santin
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
O que os outros pensam sobre você reflete quem eles são, não quem você é.
Por
A Grande Arte De Ser Feliz
Os Sioux têm um provérbio muito interessante: “Antes de julgar uma pessoa, caminha três luas com seus sapatos”. Se referem ao fato de que julgar é muito fácil, entender o outro é um pouco mais difícil. Ser empático é muitíssimo mais complicado. E o julgamento só será justo se vivermos experiências iguais.
Entretanto, com frequência pretendemos que os outros nos entendam, que compreendam nossas decisões e as compartilhem, ou que, ao menos, nos apoiem. Quando não fazem o que queremos, nos sentimos mal, nos sentimos incompreendidos e até rejeitados.
É evidente que isso é difícil de aceitar, todos necessitamos que, em algumas situações, alguém acolha nossas emoções e decisões. É perfeitamente compreensível. Contudo, sujeitar nossa felicidade à aceitação dos demais ou tomar decisões com base no medo de que os outros não vão nos entender é um grande erro. Um grande e inominável erro.
Porque os que os outros pensam sobre você na realidade diz mais sobre eles do que sobre a sua pessoa. O que pensam reflete, com certeza, o que são eles, não quem é você.
Quando criticamos alguém sem usar a empatia de nos colocarmos em seu lugar e sem, ao menos, tentar compreender o ponto de vista do outro, na realidade expomos nossa forma de ser. Quando alguém diz ao mundo que você é uma má pessoa esta atitude revela que ela é insegura, tem um pensamento duro e cheio de estereótipos.
Quem critica o que não é, não compreendeu ou não quer aceitar
O mais certo é que por trás de uma crítica destrutiva quase sempre se esconde o desconhecimento ou a negação de si mesmo. Na verdade, muitas pessoas lhe criticam porque não compreendem suas decisões, não caminham com os seus sapatos, não conhecem a sua história e não entendem a verdadeira razão de ter escolhido o caminho que escolheu. Muitas pessoas ainda vão lhe criticar por desconhecimento mais profundo sobre o seu jeito e, sobretudo, por serem arrogantes e pensarem que são os donos absolutos da verdade.´
Em outros casos, as pessoas lhe criticam porque veem refletidas em você certas características ou talentos que não querem reconhecer. O escritor francês Jules Renard afirmou com precisão:“Nossa crítica consiste em reprovar nos outros as qualidades que cremos ter”. Por exemplo, uma mulher que é maltratada pelo seu marido pode criticar duramente o divórcio. É uma forma de reafirmar sua posição. Diz a si mesma que deve seguir suportando essa situação. E o curioso é que quanto mais tóxica seja a crítica, mais forte se revela a negação dos seus sentimentos.
Na prática, em algumas ocasiões, a crítica destrutiva não é mais do que um mecanismo de defesa conhecido como projeção. Neste caso, a pessoa projeta nos outros os mesmos sentimentos, desejos ou impulsos que lhe são muito dolorosos. E com os quais não é capaz de conviver. De maneira que os percebe como algo estranho e que deve ser castigado.
Como sobreviver às críticas?
Ninguém gosta de ser criticado, principalmente se as críticas se transformam em duros ataques verbais. Infelizmente, nem sempre podemos evitar estas situações, mas devemos aprender a lidar com elas sem que as mesmas nos afetem em excesso.
Como faço para resolver isso? Aqui estão algumas estratégias diferentes, porém eficazes:
1.Coloque-se no lugar de quem lhe critica.
A empatia é um poderoso antídoto contra a raiva. Não podemos ter raiva de alguém quando compreendemos como se sente. Por isso, da próxima vez que alguém lhe criticar, tente se pôr no seu lugar. Ainda que essa pessoa não seja capaz de se colocar no seu. Assim verá que é provável que se trate de alguém míope dos olhos da alma. Ou quem ainda não teve a sua experiência de vida e guarda muita amargura e ressentimento. Dessa forma, perceberá que não vale a pena se aborrecer pelas palavras ditas com raiva.
2.Entenda que é somente uma opinião, nada mais.
O que os outros pensam sobre você é a realidade deles, não a sua realidade. Tais pessoas estão lhe julgando segundo as suas experiências, valores e critérios. Se tivessem caminhado com os seus sapatos, talvez andado pelos mesmos caminhos que você percorreu, é provável que pensariam diferente. Portanto, assume de vez que essas críticas, na realidade, são apenas opiniões jogadas ao vento, nem mais nem menos. E que são absolutamente tendenciosas. Por lado lado, você pode valorizá-las
se perceber que pode tirar proveito delas. Mas você pode, simplesmente, desprezá-las; jamais permita que as críticas arruínem o seu dia.
3.Devolve a crítica com graça.
Quando se trata de críticas destrutivas o mais conveniente é fazer “ouvidos moucos”. E saiba que essa pessoa não está aberta ao diálogo. Pois se estivesse, em vez de julgar e atacar, mostraria uma atitude mais respeitosa e compreensiva. Não obstante, haverá casos em que seja necessário dar um basta na situação. Depois de tudo, quando tivermos que enfrentar males extremos, devemos recorrer a soluções mais incisivas. Nestes casos, responda sem se alterar e com frases breves que não deem motivos às réplicas. Por exemplo, você pode dizer: “Não pode dar opinião sobre coisas que você não conhece” ou “Creio que não entendeu e tampouco deseja viver em paz. Dessa forma, não aceito que me critique”. Não critique sem pensar antes
“Em geral, os homens julgam mais pelos olhos do que pela inteligência, pois todos podem ver, mas poucos compreendem o que veem”, disse Maquiavel, séculos atrás. Podemos fazer nossa própria frase e, ainda assim, mantermos sua vigência: “Criticar por criticar significa que temos a língua fora do cérebro”.
A empatia é um poderoso antídoto contra a raiva. Não podemos ter raiva de alguém quando compreendemos como se sente. Por isso, da próxima vez que alguém lhe criticar, tente se pôr no seu lugar. Ainda que essa pessoa não seja capaz de se colocar no seu. Assim verá que é provável que se trate de alguém míope dos olhos da alma. Ou quem ainda não teve a sua experiência de vida e guarda muita amargura e ressentimento. Dessa forma, perceberá que não vale a pena se aborrecer pelas palavras ditas com raiva.
O que os outros pensam sobre você é a realidade deles, não a sua realidade. Tais pessoas estão lhe julgando segundo as suas experiências, valores e critérios. Se tivessem caminhado com os seus sapatos, talvez andado pelos mesmos caminhos que você percorreu, é provável que pensariam diferente. Portanto, assume de vez que essas críticas, na realidade, são apenas opiniões jogadas ao vento, nem mais nem menos. E que são absolutamente tendenciosas. Por lado lado, você pode valorizá-las
Quando se trata de críticas destrutivas o mais conveniente é fazer “ouvidos moucos”. E saiba que essa pessoa não está aberta ao diálogo. Pois se estivesse, em vez de julgar e atacar, mostraria uma atitude mais respeitosa e compreensiva. Não obstante, haverá casos em que seja necessário dar um basta na situação. Depois de tudo, quando tivermos que enfrentar males extremos, devemos recorrer a soluções mais incisivas. Nestes casos, responda sem se alterar e com frases breves que não deem motivos às réplicas. Por exemplo, você pode dizer: “Não pode dar opinião sobre coisas que você não conhece” ou “Creio que não entendeu e tampouco deseja viver em paz. Dessa forma, não aceito que me critique”. Não critique sem pensar antes
domingo, 17 de setembro de 2017
Miradouro dos Balcões - Ilha da Madeira - Portugal
O Miradouro dos Balcões permite-nos observar o vale da Ribeira da Metade. Daqui podemos ainda avistar a Cordilheira Central da ilha. O Miradouro dos Balcões encontra-se no fim da Vereda dos Balcões.

Com início no Ribeiro Frio, este pequeno trilho segue a Levada da Serra do Faial, dando acesso ao Miradouro dos Balcões.
A partir deste miradouro podemos apreciar as vistas magníficas sobre o vale da Ribeira da Metade. Podemos ainda avistar a Cordilheira Central da Ilha, destacando-se os dois picos mais altos, o Pico do Areeiro e o Pico Ruivo, assim como a Penha D´Águia, em dias de céu limpo.
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
OLHO POR OLHO E ACABAREMOS TODOS CEGOS
Rubem Alves dizia que todos nós queremos falar, mas ninguém quer ouvir. Percebo que essa incapacidade de escutar tem piorado com o passar do tempo. Temos vivido de forma completamente individualista, de maneira que pouco importa o que o outro acha ou pensa sobre o que quer que seja, pois só conseguimos ouvir a nossa própria voz. Tornamo-nos, assim, autofalantes, pois na medida em que nos preocupamos em tão somente falar, deixamos de escutar uns aos outros e, portanto, nos transformamos em falantes e “ouvintes” de um único som, o qual ecoa de dentro do nosso vazio.
Sendo assim, o individualismo tem retirado toda a nossa capacidade de olhar as situações em perspectiva, uma vez que não vivemos sozinhos, mas antes, em comunidade, de tal maneira que passamos a coordenar o mundo a partir das nossas vontades, nossos desejos, nossas análises, nossas compreensões. Ou seja, tudo passa a girar em torno de nós mesmos, posto que acreditamos ser a última bolacha do pacote e que, portanto, nada que venha do olhar do outro deve ser considerado.
Essa cosmovisão individualista e egocêntrica apenas faz com que nos afastemos mais ainda, formando verdadeiras ilhas afetivas, isoladas em seus mundos. Essa cegueira cria uma resistência com tudo aquilo que é diferente, com todas as coisas que não se coadunam com o que pensamos, como se fôssemos incapazes de dialogar, de imergir no mundo de idiossincrasias que forma o outro.
Por isso estamos tão tristes e solitários, presos em nossos muros de indiferença, mergulhados em depressões e afogados pela ansiedade. Estamos doentes, porque preferimos cegar e nos isolar dentro da nossa zona de conforto a enxergar que existem outras vidas além das nossas, que as pessoas possuem sonhos diferentes, preferências políticas distintas, sexualidades diferentes, mas todos somos, acima de qualquer coisa, humanos e, portanto, devíamos buscar o que há de gente em nós, o que há de ser nesse “animalzinho” que somos.No entanto, preferimos ser rotuladores, preferimos ficar com os nossos conceitos fechados, axiomas indiscutíveis, a tentar buscar novas perspectivas, novas visões, novos caminhos, uma ressignificação de nós mesmos, do outro e do universo. Preferimos nos fechar, ficar doentes e morrer desnutridos de amor, a abrir mão de um egoísmo mesquinho que nos transforma em escravos da nossa própria condição miserável.Será que acreditamos que estamos no caminho certo? Um caminho de mudez no olhar, secura na alma e lágrimas na boca? Um caminho em que é preciso defender o óbvio, lembrando Bertolt Brecht. Talvez, porque apesar de tudo, é difícil ser a mudança que desejamos no mundo? É difícil, sobretudo, nos despirmos do véu de ignorância, preconceito, intolerância, individualismo e em seu lugar sermos capazes de perceber o óbvio: que não estamos sozinhos, nem precisamos estar, porque na estrada da vida, para quem procura, há sempre lugares em que podemos nos encontrar, silêncios para que possamos ouvir e doçura para perceber a poesia presente nas singularidades de cada um.Podemos ser a cura do outro, o outro pode ser a nossa cura, para isso é preciso sair da ilha, a fim de que enxerguemos que nessa luta que nos encontramos, estamos todos afundando em um mar de individualismo doentio, triste e silencioso, pois na medida em que deixamos de escutar o outro, as nossas vozes já não significam nada, além da demonstração da nossa cegueira, pois como disse Gandhi: “Olho por olho e acabaremos todos cegos”.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

