quarta-feira, 29 de junho de 2022

Farol do Cabo Espichel:

 Durante muitos séculos, a costa portuguesa foi conhecida pelos navios estrangeiros, sobretudo os ingleses, como a “costa negra”, pois não existia qualquer sistema de iluminação que ajudasse à navegação. No final do século XVIII, o Marquês de Pombal mandou construir uma rede de faróis que a tornassem mais segura, entre os quais o do Cabo Espichel, um dos mais antigos de Portugal, construído em 1790.



Mais de duzentos anos depois, o Farol mantém a sua função e, para além disso, é um autêntico símbolo do Cabo Espichel. A sua abertura ao público, uma vez por semana, por iniciativa da Marinha Portuguesa, é uma forma de contar a história do local e afirmar a nossa relação com o mar. 

Admirar a paisagem do alto da torre de 32 metros é, por si só, uma experiência única que vale os 135 degraus de pedra e 15 de ferro que é preciso subir para lá chegar, mas ao longo do roteiro há muito mais para descobrir. 

A uma altitude de 168 metros a partir do nível do mar, o Farol do Cabo Espichel tem um alcance luminoso de 26 milhas, aproximadamente 48 quilómetros, e produz uma luz branca que em cada 12 segundos emite três relâmpagos. O aparelho ótico, mais pequeno que o original, é composto também por painéis aeromarítimos, que produzem luz, não só para o horizonte, como também para o céu. 


Na torre podem ainda observar-se as máquinas que funcionavam a vapor de petróleo, e que em 1883 substituíram os candeeiros de Argand, alimentados a azeite, e o antigo sistema de relojoaria, que em caso de avaria dos motores está pronto para entrar em ação. 

No final do século XIX recebeu o primeiro sinal sonoro, um sino acionado mecanicamente que, mais tarde, com a chegada da eletrificação, foi trocado por uma sereia de ar comprimido, que ainda se pode ver no local, apesar de desativada. Em 1989, o equipamento passou a ser totalmente autónomo. 

Apesar de toda a ajuda eletrónica existente para a navegação, a luz do Farol ainda é preciosa para quem anda no mar. Os pescadores de Sesimbra guiam-se não só pela luz como também pelo próprio edifício. Com a evolução tecnológica visual e sonora que se verificou ao longo das décadas, a rotina dos faroleiros também sofreu alterações. No entanto, tal como a luz do Farol, a sua presença é indispensável, não só em caso de avaria mas também em relação à manutenção do espaço. 

Desde 2011, que, a par de outros 29 edifícios propriedade da Marinha, o farol do Cabo Espichel está aberto ao público, uma vez por semana, para visitas guiadas, que dão a conhecer a missão dos faróis e as funções dos faroleiros, divulgando um espólio com grande valor cultural e histórico.

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Quinta da Cardiga - Golegã

 A Quinta da Cardiga é uma velha quinta apalaçada situada na Golegã. A doação da Quinta da Cardiga à Ordem dos Templários foi efetuada em 1169 por D. Afonso Henriques, para arroteamento e cultivo.



Extinta esta Ordem, passou para o domínio da Ordem de Cristo, que aí edificou uma granja de veraneio (c. 1540-1542). O projeto do conjunto da quinta (incluindo o palacete, o celeiro, a capela e o claustro), é atribuído à traça do arquiteto João de Castilho. Tendo pertencido aos frades do Convento de Cristo tem ainda hoje como símbolo da casa a Cruz de Cristo. O conjunto arquitectónico é interessante pela mistura de estilos, a que não falta uma torre e um portal manuelino. Segundo reza nas Histórias da Família, Nicola Kovacich, natural de Ragusa, chegou a Portugal com treze anos sem saber uma palavra de português. Com o fruto do seu trabalho conseguiu arranjar uma boa casa e tornou-se dono de uma importante fábrica de cordoaria no Barreiro. Emília Firmina, sua filha, casou com José Lamas de quem teve onze filhos. José Lamas, descendente de António Gonsalves de Sousa veio de Lamas d’Orelhão trabalhar para Lisboa muito novo.


Foi por duas vezes à Índia a serviço de seu patrão, quando regressou investiu as suas economias numa pequeníssima loja onde vendia chá da Índia, ensinando a fazê-lo. Foi a primeira loja em Portugal onde se vendia chá. Só se podia comprá-lo nas farmácias. Aumentou o seu negócio comprando uma pequena fábrica de sola na Junqueira. Devido a ser de Lamas, foi com este nome que se tornou conhecido e, com o tempo, o apelido Gonsalves de Sousa, foi substituído pelo "Lamas". A sua filha mais velha chamava-se Maria Luiza Covachic Lamas. Esta adorava ópera, bons concertos e a vida de sociedade, na qual fora criada em solteira. António Zagallo Gomes Coelho filho de Rosa de Oliveira Zagallo e de António Gomes Coelho, natural de Ovar, morava com seus pais na casa, onde Júlio Dinis, sobrinho deles, veio a escrever As Pupilas do Senhor Reitor. Formou-se em medicina e veio exercer para Vila Nova da Barquinha para um lugar que estava vago. No entanto, após ter herdado juntamente com sua mulher Maria Luiza Covachic Lamas, a Quinta da Cardiga, dedicou-se a geri-la a tempo inteiro. Em 1892, juntamente com a mulher e quatro filhos, foram viver para a Atalaia, para uma casa que compraram em frente da Igreja Matriz, tendo-a mobilado com os móveis, roupas e loiças trazidas da Quinta da Cardiga. Entretanto, a quinta foi vendida aos actuais proprietários.



O Castelo da Cardiga, localizado na actual Quinta da Cardiga, foi doado à Ordem dos Templários em 1165 por D. Afonso Henriques. Mais tarde, tornou-se uma quinta, no Concelho da Golegã, com casas de habitação com jardim, horta, capela, cavalariças, cocheiras, casas para criados, albergarias, lagar e outras oficinas e dependências. A Quinta da Cardiga, juntamente com o castelo de Ozêzere, a torre da Atalaia e o Castelo de Almourol eram postos de vigia da milícia do Templo. Tal importância tinha a Quinta da Cardiga que em 1550, D. João III autorizou o seu irmão a proceder à mudança do percurso do rio Tejo, fazendo-o passar pela Cardiga. Em 1580, Filipe II, vindo das Cortes de Tomar a caminho de Lisboa, descansa na Cardiga. Entre várias compras que fez, António Zagallo Gomes Coelho, comprou o palacete dos Condes da Atalaia - actualmente Casa do Patriarca, o Casal das Freiras entre a Golegã e a Cardiga, e foi ele quem começou as primeiras construções no Entroncamento, para alugar as casas aos ferroviários. A título de curiosidade, no contrato de arrendamento dava uma bonificação de um mês a quem lhe pagasse a renda atempadamente. A Quinta da Cardiga é hoje uma das mais notáveis propriedades do País.



Créditos - João Carlos Silveira


domingo, 26 de junho de 2022

China: descoberta de um abismo gigante abrigando uma floresta primitiva:

 Em geologia, um carste é um maciço calcário no qual a água cavou muitas cavidades. Pode formar estruturas particulares, como dolinas (ou abismos) ou desfiladeiros. Na sexta-feira, 6 de maio, uma equipe de cientistas chineses descobriu um novo sumidouro gigante de carste no condado de Leye, no sul da China. No interior há uma floresta primitiva bem preservada, com árvores de quarenta metros de altura.



O sumidouro gigante foi identificado na Região Autônoma de Guangxi (no condado de Leye), sul da China. Nesta área, nada menos que trinta abismos já foram descobertos. De acordo com o National Cave and Karst Research Institute (NCKRI) nos Estados Unidos, isso não é surpreendente, porque o sul da China tem topografia cárstica: um terreno fértil para sumidouros espetaculares.

Estas paisagens cársticas são formadas principalmente pela dissolução repetida da rocha inicial. Ligeiramente ácida, a água da chuva torna-se cada vez mais ácida ao absorver o dióxido de carbono à medida que passa pelo solo. Ele escorre, corre e depois flui através de rachaduras na rocha, alargando-as lentamente ao longo do tempo. Se a câmara subterrânea se tornar grande o suficiente, o teto pode desmoronar gradualmente, criando enormes abismos e cavernas.

Encontrados principalmente na China, México e Papua Nova Guiné, grandes dolinas são conhecidas pelo nome chinês de Tiankeng (“poço celestial”). ” Devido a diferenças locais na geologia, clima e outros fatores, a forma como o carste aparece na superfície pode ser dramaticamente diferente “, disse o diretor do NCKRI em comunicado . ” Então, na China, você tem esse carste visualmente espetacular com enormes sumidouros e entradas de cavernas gigantes e assim por diante. Em outras partes do mundo, você anda no carste e realmente não percebe nada. Os sumidouros podem ser bastante discretos, com apenas um ou dois metros de diâmetro. As entradas para cavernas podem ser muito pequenas, então você tem que se espremer por elas .”

Um “oásis de vida” com árvores centenárias e reservas subterrâneas de água

Mais detalhadamente, o sumidouro descoberto tem 306 metros de comprimento, 150 metros de largura e 192 metros de profundidade, e seu volume ultrapassa 5 milhões de metros cúbicos. De acordo com Zhang Shuanhou, engenheiro sênior do Instituto Shaanxi de Investigação Geológica, um sumidouro é considerado “grande” se seu diâmetro estiver entre 300 e 500 metros, e “super grande” se seu diâmetro for superior a 500 metros.

Dentro do grande sumidouro, os espeleólogos descobriram três entradas de cavernas, densas plantas de sombra que chegam até os ombros e árvores antigas com quase quarenta metros de altura. De fato, cavernas e abismos cársticos podem apresentar um ecossistema real, e também são um canal para aquíferos subterrâneos (ou reservas profundas de água subterrânea). Constituiriam a única ou principal fonte de água para 700 milhões de pessoas no mundo, mas são facilmente acessíveis e drenadas… ou poluídas.

Os pesquisadores ainda relatam que não ficariam surpresos que várias espécies de mamíferos e insetos encontrados nessas cavernas nunca tenham sido relatadas ou descritas pela ciência até agora.

Fonte: Trust my science



terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Seus filhos precisam de menos tecnologia e mais música

 



Estamos acostumados a ver os pais usarem a tecnologia para que seus filhos fiquem calmos. Eles se convencem de que os aplicativos móveis são bons e que nada vai acontecer com as crianças porque elas estão atualizadas com as telas. É verdade que nada precisa acontecer com eles, mas se você quiser que eles sejam mais inteligentes, precisará incutir nos seus filhos mais tempo de música e menos tempo de tela.

Você deve ter em mente que o que seus filhos alcançarão na vida adulta dependerá em grande parte do que você lhes oferece na aprendizagem. As crianças não têm controle sobre o que aprendem ou não aprendem, simplesmente recebem os estímulos necessários para crescer mentalmente. Uma das melhores coisas que podem ser feitas para as crianças é incutir um amor pela música.

A música tornará seu filho mais inteligente

A ciência mostra que a música torna as crianças mais inteligentes … na verdade, a música é boa para crianças e adultos. As novas tecnologias entorpecem o cérebro e fazem com que as pessoas tenham menos conexões na memória … O telefone celular facilita a vida e, portanto, as pessoas não precisam memorizar certas coisas comuns que a mente costumava fazer antes lembrar, como endereços, locais ou números de telefone.

As novas tecnologias tornam as pessoas cada vez menos inteligentes, mas o que desperta a mente não é apenas ouvir a própria música, muito menos … O que realmente faz as crianças (e os adultos) trabalharem com a mente e Tornar-se mais ativo e inteligente, é tocar instrumentos.

Parece que as novas tecnologias se tornaram extensões de nós mesmos e isso é perigoso, porque faz com que o cérebro fique sem trabalho e isso, para o desenvolvimento das crianças é altamente prejudicial.

Impulsa a inteligência das crianças

Idealmente, limite o uso de tecnologias e aprimore ou pelo menos motive as crianças a tocar um instrumento musical de que gostem. Quando uma criança começa a tocar um instrumento musical, seu QI aumenta e também começa a ter um maior desenvolvimento cerebral. Também onde se nota que uma criança começa a tocar um instrumento musical está na capacidade de leitura e matemática, que melhora acentuadamente.

É por tudo isso que se você quer ser um pai ou mãe responsável que pretende fortalecer o intelecto de seus filhos, chegou a hora de incorporar na vida de seus filhos o aprendizado de um instrumento musical …


quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

As crianças precisam de arte e histórias, poemas e música, tanto quanto precisam de amor, comida e ar fresco.

 As crianças precisam de arte, histórias, poemas e música, tanto quanto precisam de amor, comida, ar fresco e de brincar. Se não der comida a uma criança, o dano fica rapidamente visível. Se não permitir que uma criança tenha ar fresco e que brinque, o dano também é visível, mas não de forma tão rápida. Se não der amor a uma criança, o dano pode não ser visível por alguns anos, mas será permanente.


Mas se não der a uma criança arte e histórias, poemas e música, o dano não será tão fácil de ver. No entanto, está lá. Os seus corpos são suficientemente saudáveis; eles conseguirão correr, pular e nadar e comer com fome e fazer muito barulho, como as crianças sempre fizeram, mas faltará algo.

É verdade que algumas pessoas crescem sem nenhum contato com arte de qualquer tipo e são perfeitamente felizes, e vivem vidas boas e valiosas; pessoas em cujas casas não há livros, e elas não se importam muito com pinturas, e elas não conseguem ver o interesse da música. Bem, não há mal. Eu conheço pessoas assim. São bons vizinhos e cidadãos úteis.

Mas outras pessoas, em algum momento da sua infância ou juventude, ou até mesmo da velhice, deparam-se com uma coisa que nunca sonharam antes. É tão estranho para eles como o lado escuro da lua. Mas um dia eles ouvem uma voz no rádio lendo um poema, ou passam por uma casa com uma janela aberta onde alguém toca piano ou vêem um cartaz de uma pintura na parede de alguém e isso dá-lhes um golpe tão forte e ao mesmo tempo tão gentil que eles ficam tontos. Nada os preparou para isso. De repente percebem que estão cheios de fome, embora eles não tivessem ideia disso até há um minuto atrás; uma fome de algo tão doce e tão delicioso que quase parte o seu coração. Eles quase que choram, eles sentem-se tristes, felizes e solitários e acolhido por essa experiência completamente nova e estranha, e eles estão desesperados por ouvir mais perto do rádio, eles ficam fora da janela, eles não conseguem tirar os olhos do cartaz. Eles queriam isso, eles precisavam disso como uma pessoa a morrer de fome precisa de comida, e eles nunca o souberam. Eles não tinham ideia.

É isso que acontece a uma criança que precisa de música, pinturas ou poesia, ao se deparar com essas coisas por acaso. Não fosse esse acaso, talvez o encontro jamais ocorresse, e ela passaria a vida inteira num estado de fome cultural da qual nem teria ideia.

Os efeitos da fome cultural não são dramáticos e rápidos. Não são tão facilmente visíveis.

E, como eu disse, algumas pessoas, pessoas boas, amigos simpáticos e cidadãos úteis, nunca chegam a viver essa experiência. Estão perfeitamente bem sem isso. Se todos os livros e toda a música e todas as pinturas do mundo desaparecessem da noite para o dia, elas não sentiriam falta; elas nem notariam.

Mas essa fome existe em muitas crianças, e muitas vezes nunca é satisfeita porque nunca foi despertada. Muitas crianças, em todos os cantos do mundo, estão a passar fome pela falta de algo que alimenta e nutre as suas almas de uma maneira que nada mais no mundo poderia.

Dizemos, corretamente, que todas as crianças têm direito à alimentação e ao abrigo, à educação, ao tratamento médico, e assim por diante. Mas devemos entender que todas as crianças têm direito à experiência da cultura. Temos de entender verdadeiramente que sem histórias, poemas, pinturas e música, as crianças também passarão fome.

Texto escrito por Philip Pullman (Versão original) para o décimo aniversário do Prémio Memorial Astrid Lindgren em 2012.



quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Não se lamente por envelhecer, é um privilégio negado a muitos!

 “Envelhecer é um privilégio, uma arte, um presente. Somar cabelos brancos, arrancar folhas no calendário e fazer aniversário deveria ser sempre um motivo de alegria. De alegria pela vida e pelo que estar aqui representa. Todas as nossas mudanças físicas são reflexo da vida, algo do que nos podemos sentir muito orgulhosos.”

Todas as nossas mudanças físicas são reflexo da vida, algo do que nos podemos sentir muito orgulhosos.

Temos que agradecer pela oportunidade de fazer aniversário, pois graças a ele, cada dia podemos compartilhar momentos com aquelas pessoas que mais gostamos, podemos desfrutar dos prazeres da vida, desenhar sorrisos e construir com nossa presença um mundo melhor…

As rugas nos fazem lembrar onde estiveram os sorrisos

As rugas são um sincero e bonito reflexo da idade, contada com os sorrisos dos nossos rostos. Mas quando começam a aparecer, nos fazem perceber quão efêmera e fugaz é a vida.

Como consequência, frequentemente isso nos faz sentir desajustados e incômodos quando, na verdade, deveria ser um motivo de alegria. Como é possível que nos entristeça ter a oportunidade de fazer aniversário?

Porque temos medo de que, ao envelhecermos, percamos capacidades. Porque pensamos na velhice como um castigo, de maneira pejorativa e humilhante. Do mesmo modo, fazer aniversário nos faz olhar para trás e nos expõe ao que fizemos durante nossa vida.

Dizer obrigado por cada ano completo

Deveríamos agradecer à vida pela oportunidade de permanecer e de ter a capacidade e a consciência de desfrutar. Que sentido tem nos lamentarmos e nos queixarmos por termos possibilidades? Não é verdade que daríamos o que fosse para ter aqueles que perdemos do nosso lado? Por que não colocamos vontade na vida e deixamos de dissimular nosso caminhar?

Fazer aniversário deveria ser um motivo de alegria. Cada dia conta com 1440 minutos de novas opções, de maravilhosos pensamentos, de centenas de matizes em nossos sentimentos. Cada segundo nos faz mais capazes de experimentar e de aproveitar todas as opções que surgem ao nosso redor.

Cada ano é uma medalha, uma oportunidade para acumular lembranças, para fazer nossos os instantes, para soprar as velas com força e orgulho. Deseje continuar cumprindo sonhos, segundos, minutos, horas, dias, meses e anos… E, sobretudo, poder celebrá-los com a vida e com as pessoas que o rodeiam.

QUANTOS ANOS TENHO?

Tenho a idade em que as coisas se olham com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo.

Tenho os anos em que os sonhos começam a se acariciar com os dedos e as ilusões se tornam esperança.

Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma louca labareda, ansiosa para se consumir no fogo de uma paixão desejada. E outras, é um remanso de paz, como o entardecer na praia.

Quantos anos tenho? Não preciso de um número marcar, pois meus desejos alcançados, as lágrimas que pelo caminho derramei ao ver minhas ilusões quebradas…
Valem muito mais do que isso.

O que importa se fizer vinte, quarenta, ou sessenta!
O que importa é a idade que sinto.

Tenho os anos que preciso para viver livre e sem medos.
Para seguir sem temor pelo atalho, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus desejos.

Quantos anos tenho? Isso a quem importa!
Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e sinto.

– José Saramago –

Entre a infância e a velhice há um instante chamado vida

Não se lamente por envelhecer. A vida é um presente que nem todos temos o privilégio de desfrutar. É um frasco de suspiros, de tropeços, de aprendizagens, de prazeres e de sofrimentos. Por isso, em si mesma, é maravilhosa.

E também por isso é imprescindível aproveitar cada momento, fazê-lo nosso, nos sentirmos afortunados. Acumular juventude é uma arte que consiste em fazer com que seja mais importante a vida dos anos do que os anos de vida.

Não é tão importante se somamos cabelos brancos, rugas ou se nosso corpo nos pede trégua a cada manhã. O que verdadeiramente é relevante é crescer, porque no final das contas, fazer aniversário é inevitável, mas envelhecer é opcional.

do site A Mente es Maravilhosa

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Mata Nacional dos Medos...

A Mata Nacional dos Medos é um espaço arborizado localizado na Freguesia da Charneca de Caparica, no concelho de Almada, com aproximadamente 340 hectares de área.


O seu nome deriva da designação dada aos montes de areia, tipicamente formados por acção do vento, junto ao mar ("medos" ou "médões"). De facto, devido à deslocação das areias das dunas existentes a Oeste, o rei D. João V mandou plantar esta mata, no séc. XVIII, para evitar que estas invadissem os terrenos de génese agrícola situados a leste.

Devido a ter sido mandada plantar pelo rei, esta zona era ainda conhecida pela designação Pinhal do Rei. O local foi classificado como reserva natural (botânica) em 1971 (Decreto 444/71, de 23 de Outubro), integrando ainda a Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica.


A mata é sobretudo caracterizada pela presença de pinheiro-manso, sendo constituída por comunidades de arbustos característicos de zonas mediterrânicas onde se faz sentir a influência do Atlântico.
Outras espécies de ocorrência significativa incluem o pinheiro-bravo, a aroeira, o carrasco, o medronheiro, o rosmaninho e o tomilho. Ocorrem matagais de sabina-das-praias juntamente com pinheiros, matagais de carrasco, e também zonas de matos constituídos por tojo-chamusco e camarinha. Ocorrem ainda, com uma menos distribuição, a joina-das-areias e o sargaço.



A mata possui 3 espécies de flora que só existem em Portugal e 15 que só existem na Península Ibérica.
Aqui ocorrem e nidificam aves como a águia-de-asa-redonda, o mocho-galego e a coruja-do-mato.
Em termos de mamíferos, ocorre o texugo, o ouriço-cacheiro e a gineta.
Em termos de répteis e anfíbios ocorrem a salamandra-de-pintas-amarelas e a lagartixa-ibérica.

Texto e Fotos - João Carlos Silveira
Evento: Os novos Passadiços da Mata dos Medos



terça-feira, 19 de outubro de 2021

ALMADA - Quinta de Almaraz

 A Quinta do Almaraz corresponde a um povoado situado numa falésia com excelentes condições naturais e de defesa, e auferindo de uma excelente visibilidade sobre o estuário do rio Tejo.

As sucessivas campanhas arqueológicas levadas a cabo neste sítio permitiram diferenciar três zonas ocupacionais, a primeira das quais foi identificada na sua plataforma mais elevada, e corresponderia ao povoado Calcolítico e da Idade do Bronze. A segunda zona revelou-se a mais extensa das três - rodeada por duas linhas de muralhas, com um fosso sob a primeira delas -, e foi atribuída à ocupação da Iª Idade do Ferro, enquanto que a terceira, localizada na zona mais a oeste desta falésia, relacionar-se-ia com o período ocupacional da 2ª Idade do Ferro.


Em termos genéricos, as estruturas descobertas teriam correspondido a alojamentos de planta rectangular de pequenas dimensões, edificadas com pedra seca, cujos habitantes se dedicariam preferencialmente à agricultura, à qual se somava a pastorícia e alguma prática piscatória. Base de subsistência esta que, no fundo, parecia não divergir substancialmente da economia que caracterizava todos os registos anteriores, atribuíveis ao Bronze Final.
É possível que parte do pescado obtido se destinasse à exportação, sugerindo-se a prática da "salga de peixe", a par da própria exploração do sal, também ele provável objecto de exportação, absolutamente natural numa altura em que este produto desempenhava um papel assaz crucial na alimentação, ao mesmo tempo que se observava uma real dificuldade em obtê-lo nas quantidades exigidas pela existência quotidiana do mundo mediterrânico de então.

Por outro lado, alguns dos elementos recolhidos parecem indicar que a exploração das areias auríferas do rio Tejo constituíria uma das outras possíveis actividades exercidas por algumas das populações que ocuparam sucessivamente este local ao longo dos séculos. Além disso, é possível inferir a prática da metalurgia através da análise das escórias existentes, reforçada pela presença de cadinhos de fundição.
Mas, de todo o espólio posto a descoberto nesta estação arqueológica, é, sem dúvida, o material cerâmico aquele que merece maior atenção por parte dos investigadores, e não apenas pela sua enorme quantidade. Assim, se, em termos percentuais, a mais representada é a denominada "cerâmica comum", é toda uma série de recipientes integradas no conjunto das chamadas "cerâmicas cinzentas", aquela que perfaz o grupo específico mais numeroso, apresentando formas tão díspares, como taças, potes carenados e urnas, perfazendo as ânforas e as próprias pithoi, um grupo à parte.
De entre o universo do material cerâmico, dever-se-ão destacar, no entanto, os elementos representativos das denominadas "cerâmicas de verniz vermelho", o que nos faz supor que, subjacente à escolha da colina em que o povoado se encontra implantado, residiria um propósito económico muito específico, directamente relacionado com a actividade comercial marítima especialmente ligada ao "Mundo Fenício". Não se trata, no entanto, de um estabelecimento fenício, mas de um entreposto comercial que, à semelhança de outros identificados a Sul do Tejo e na região sadina, se desenvolveu em grande parte devido, precisamente, às trocas comerciais mantidas com o Mediterrâneo Oriental.                        O Mar da Palha visto da Quinta do Almaraz

(créditos- João Carlos Silveira)

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Inverno ou verão!

E eis que chegaram o frio e a chuva. Deve ser apenas por alguns dias... mas mesmo assim serve para eu dar uso ao teclado, aos dedos e a uma pequena parte do cérebro com mais um tema que não deve interessar a ninguém!




O que é melhor, Verão ou Inverno?
Analisemos cada um. Do meu ponto de vista, claro! Não está aqui mais ninguém por isso tem mesmo que ser.
Verão. Quente, Sol, praia, mar/rio, corpos escaldantes, cervejas geladas... perto do paraíso, não? Há quem diga que gostaria de ter Verão todo o ano. Mas e conseguiriam viver assim todo o ano? Não esquecer o trabalhinho. Com tanto calor conseguem trabalhar bem? Não estão todo o dia a pensar na praia? Pois é. Isto funciona bem para aquelas pessoas que não precisam mexer uma palha para ganhar o seu... para os outros de nós há que trabalhar. Vergar a mola! Daí que o Verão é bom mas só por algum tempo.
Inverno. Frio, chuva, vento. Escuro... Até chega a assustar não? E o quentinho duma lareira? E o ar fresco pelos pulmões adentro? E a chuva a cair na pele, a arrepiar... Sentir a Natureza a manifestar-se, a mostrar o seu poder! A sua fúria...
E o trabalho? Não perguntam vocês mas pergunto eu. O trabalho faz-se ainda melhor. "Este gaijo a dizer que gosta de trabalhar?! Bebeu!" Não. No Inverno o melhor que se pode fazer para aquecer é trabalhar. Ok, quase o melhor hehehe (maroto eu)
Assim, respondendo rápido à questão inicial: ambos os dois. Claro!
Não esquecendo ainda a Primavera e o Outono, tão caídos em desuso nos últimos tempos...
E para se aproveitar alguma coisa deste post, deixo uma frase que vi por aí algures na net, de um autor desconhecido: "everything will be okay in the end. if it's not okay, it's not the end"
Gosto
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quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Há um juiz chamado tempo que coloca tudo em seu lugar.

 Todos nós somos livres para praticar as nossas ações, mas somos responsáveis pelas consequências . Um gesto, uma palavra ou uma má ação causam sempre um impacto mais ou menos percetível e, embora não acreditemos, o tempo é um juiz muito sábio. Apesar de não dar uma sentença imediata, sempre vai dar razão a quem a tem.




O famoso psicólogo e pesquisador Howard Gardner , por exemplo , surpreendeu-nos recentemente com um de seus raciocínios: “uma pessoa má nunca se torna um bom profissional” . Para o “pai das múltiplas inteligências”, alguém guiado exclusivamente pelo interesse próprio nunca alcança a excelência, e essa é uma realidade que também se revela muitas vezes no espelho do tempo.

O tempo funciona no sistema de ação e reação, ou seja, tudo que se promove hoje, terá consequências um dia, seja coisas boas ou ruins. O tempo julga e sentencia, portanto uma atitude desprezível que se pratica hoje, pode retornar como algo muito ruim no futuro. Talvez, quando chegar a conta, a pessoa sequer consiga fazer ligação e entender que o que está acontecendo seja a consequência de uma ação sua praticada tempos atrás.

Nós convidamos você a refletir sobre isso:

Tempo, o sábio juiz

Vamos dar um exemplo: vamos visualizar um pai educando seus filhos com severidade e ausência de afeto . Sabemos que esse estilo de paternidade e educação trará consequências, porém, o pior de tudo, é que esse pai busca com essas ações oferecer ao mundo pessoas fortes e com certo estilo de comportamento. No entanto, o que você provavelmente vai conseguir é algo muito diferente do que você pretendia: infelicidade, medo e baixa auto-estima.

Com o tempo, essas crianças se transformam em adultos, ditarão a sentença: fugir ou evitar esse pai, algo que talvez, essa pessoa não consiga entender. A razão para isto é que muitas vezes a pessoa que prejudica “não se sente responsável por suas ações”, carece de uma proximidade emocional adequada e prefere usar a culpa (meus filhos são ingratos, meus filhos não me amam).

Uma maneira básica e essencial para levar em conta que qualquer ato, por menor que seja, tenha consequências, é fazer uso do que é conhecido como “responsabilidade plena”. Ser responsável não significa apenas assumir a responsabilidade por nossas ações, é entender que temos ter jeito no trato com os demais, que a maturidade humana começa por nos tornar responsáveis por cada uma de nossas palavras, ações ou pensamentos que geramos para promover nosso bem-estar e dos demais.

Responsabilidade, um ato de coragem

Entendam que, por exemplo, a solidão do agora pode ser a resposta do tempo de uma ação passada, e é sem dúvida um bom passo para descobrir, que estamos todos unidos por um fio fino onde um movimento negativo ou disruptivo, traz como consequência a um nó ou a rutura desse fio. A partir desse vínculo.

Certifique-se de que suas ações falam mais que suas palavras, que sua responsabilidade é o reflexo de uma alma; Para isso, tente sempre ter bons pensamentos. Então, tenha certeza de que o tempo vai te tratar como você merece

É necessário ter em mente que somos “donos” de grande parte de nossas circunstâncias vitais, e que uma maneira de promover nosso bem-estar e aqueles que nos rodeiam é através da responsabilidade pessoal: um ato de coragem que o convidamos a colocar em prática através destes princípios simples.

Chaves para se tornar consciente da nossa responsabilidade

O primeiro passo para tomar consciência da “responsabilidade plena” é abandonar nossas ilhas de recolhimento, nas quais focalizamos muito do que acontece no exterior com base em nossas necessidades. Portanto, esta série de construções também é adequada para crianças.

• O que você pensa, o que você expressa, o que você faz, o que cala. Toda a nossa pessoa gera um tipo de linguagem e um impacto sobre os outros, a ponto de criar uma emotividade positiva ou negativa. Devemos ser capazes de intuir e, acima de tudo, ter empatia com quem temos diante de nós.

• Antecipe as consequências de suas ações: seja seu próprio juiz. Com esta chave não estamos nos referindo a cair em uma espécie de “autocontrole” pelo qual nos tornaremos nossos próprios executores antes de termos dito ou feito qualquer coisa. Trata-se apenas de tentar antecipar o impacto que uma determinada ação pode ter sobre os outros e, consequentemente, sobre nós mesmos também.

• Ser responsável implica entender que não somos “livres”. A pessoa que não vê limite em suas ações, seus desejos e necessidades, pratica aquela devassidão que, mais cedo ou mais tarde, também tem consequências. A frase recorrente “minha liberdade termina onde começa a sua” adquire aqui o seu significado. No entanto, também é interessante tentar promover a liberdade e o crescimento de outros, a fim de alimentar um círculo de enriquecimento mútuo.

(Do site a Mente é Maravilhosa)