domingo, 8 de julho de 2018

Carpe Diem”, o belo e encantador poema de Walt Whitman

Carpe Diem é uma frase em latim de um poema de Horácio, e é popularmente traduzida para "colha o dia ou aproveite o momento" É também utilizada como uma expressão para solicitar que se evite gastar o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o prazer imediato, sem medo do futuro.
                     
                 
Aproveita o momento

Vindo da decadência do império Romano o termo Carpe Diem era dito para retratar o “cada um por si”, devido o império estar se desfazendo, naquele momento a visão de que cada dia poderia ser realmente o último era retratado pela frase que hoje é utilizada como uma coisa boa, porém sua origem vem do desespero da destruição de um grande império antigo.

Aproveita o dia (Walt Whitman)
Aproveita o dia,
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um dever.
Não abandones tua ânsia de fazer da tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias sim podem mudar o mundo.
Porque passe o que passar, nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas da nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.
Valoriza a beleza das coisas simples, pode-se fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida num inferno.
Desfruta do pânico que provoca ter a vida toda a diante.
Procura vivê-la intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprende com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida passe sem teres vivido…

                                      
Walt Whitman - (Huntington, 31 de maio de 1819 – Camden, 26 de março de 1892) -
Walter Whitman (1819 – 1892) foi um jornalista, ensaísta e poeta americano considerado o “pai do verso livre” e o grande poeta da revolução americana.

sábado, 16 de junho de 2018

Ambiente e Qualidade de Vida

Portugal esgota hoje "16/06/2018" os recursos naturais renováveis de 2018, o que significa que vai começar a usar meios que só deveria utilizar a partir de 01 de Janeiro de 2019, anunciou a associação ambientalista Zero.
De acordo com a Zero, "se todos vivessem como nós", a partir de domingo "o mundo começaria a usar o cartão de crédito ambiental", porque "acabam-se hoje os recursos renováveis de Portugal".

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Se cada pessoa no planeta vivesse como uma pessoa média portuguesa, "a humanidade exigiria o equivalente a 2,19 planetas para sustentar as suas necessidades de recursos", o que implicaria que "a área produtiva disponível para regenerar recursos e absorver resíduos a nível mundial esgotar-se-ia neste dia 16 de junho".
"Portugal é, há já muitos anos, deficitário na sua capacidade para fornecer os recursos naturais necessários às atividades desenvolvidas (produção e consumo). A nossa pegada 'per capita' é de 3,69 hectares globais, mas a nossa biocapacidade é de 1,27 hectares globais, com base em dados revistos para toda a série histórica desde 1961", escreveu a Zero, num comunicado.
Portugal é o 69º país do mundo com maior pegada ecológica por pessoa.
Apesar de, entre os países da União Europeia, Portugal ter a quarta pegada mais baixa por pessoa, "esta é, ainda assim, muito superior à capacidade média por pessoa no planeta".
O consumo de alimentos (32% da pegada global do país) e a mobilidade (18%) encontram-se entre as atividades humanas diárias que mais contribuem para a pegada ecológica portuguesa e são "pontos críticos para intervenções de mitigação da pegada", segundo a Zero.
Os dados relativos à pegada ecológica são atualizados anualmente pela Zero -- Associação Sistema Terrestre Sustentável, em parceria com a Global Footprint Network.
Tal como um extrato bancário dá a indicação das despesas e dos rendimentos, a contabilização da pegada ecológica avalia anualmente, através de sistemas métricos, as necessidades humanas de recursos renováveis e serviços essenciais e compara-as com a capacidade da biosfera de fornecer tais recursos e serviços.
O dia em que a humanidade atinge o limite do uso sustentável de recursos naturais disponíveis para esse ano, ou seja, o orçamento natural, é habitualmente designado como 'Overshoot Day'.
No ano passado, o 'overshoot day' mundial ocorreu em 02 de agosto, sendo que o último ano em que o planeta conseguiu viver com o seu orçamento natural anual foi em 1970.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Fernando António Nogueira Pessoa ( Nasceu a 13 Junho de 1888 em Lisboa )
 

Um dos maiores génios poéticos de toda a nossa Literatura e um dos poucos escritores portugueses mundialmente conhecidos. A sua poesia acabou por ser decisiva na evolução de toda a produção poética portuguesa do século XX. Se nele é ainda notória a herança simbolista, Pessoa foi mais longe, não só quanto à criação (e invenção) de novas tentativas artísticas e literárias, mas também no que respeita ao esforço de teorização e de crítica literária.
    
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É um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradições, uma visão simultaneamente múltipla e unitária da Vida. É precisamente nesta tentativa de olhar o mundo duma forma múltipla (com um forte substrato de filosofia racionalista e mesmo de influência oriental) que reside uma explicação plausível para ter criado os célebres heterónimos - Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, sem contarmos ainda com o semi-heterónimo Bernardo Soares. 

Fernando Pessoa nasceu em Lisboa em 1888 (onde virá a falecer) e aos 7 anos partiu para a África do Sul com a sua mãe e o padrasto, que foi cônsul em Durban. Aqui fez os estudos secundários, obtendo resultados brilhantes. Em fins de 1903 faz o exame de admissão à Universidade do Cabo. Com esta idade (15 anos) é já surpreendente a variedade das suas leituras literárias e filosóficas. Em 1905 regressa definitivamente a Portugal; no ano seguinte matricula-se, em Lisboa, no Curso Superior de Letras, mas abandona-o em 1907. Decide depois trabalhar como "correspondente estrangeiro". Em 1912 estreia-se na revista A Águia com artigos de natureza ensaística. 1914 é o ano da criação dos três conhecidos heterónimos e em 1915 lança, com Mário de Sá-Carneiro, José de Almada-Negreiros e outros, a revista "Orpheu", que dá origem ao Modernismo. Entre a fundação de algumas revistas, a colaboração poética noutras, a publicação de alguns opúsculos e o discreto convívio com amigos, divide-se a vida pública e literária deste poeta. 
Pessoa marcou profundamente o movimento modernista português, quer pela produção teórica em torno do sensacionismo, quer pelo arrojo vanguardista de algumas das suas poesias, quer ainda pela animação que imprimiu à revista "Orpheu" (1915). No entanto, quase toda a sua vida decorreu no anonimato. Quando morreu, em 1935, publicara apenas um livro em português, "Mensagem" (no qual exprime poeticamente a sua visão mítica e nacionalista de Portugal), e deixou a sua famosa arca recheada de milhares de textos inéditos. A editora Ática começou a publicar a sua obra poética em 1942. No entanto, já o grupo da "Presença" tinha iniciado a sua reabilitação (poética e filosófica) face ao público e à crítica. © 2003 Porto Editora, Lda.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Não culpes ninguém

O belo poema de Pablo Neruda para reflectir
As pessoas que culpam os outros geralmente tentam esconder seus sentimentos de desamparo. Se elas não culparem ninguém, estarão admitindo que não estão no controle e que não há nada que possam fazer.
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Ao culpar os outros, a pessoa desamparada assume a posição do acusador e se sente mais no controle.
Em algumas situações, é aceitável culpar os outros se eles forem realmente responsáveis ​​e se culpá-los fizer evitar erros semelhantes no futuro, mas na maioria dos casos você deve aprender como assumir responsabilidade por suas ações e estar no controle de sua vida para que você Não culpe pessoas inocentes.
É isso que Neruda nos diz de forma poética nesse poema que é um dos mais lúcidos e belos conselhos que o poeta nos deixou.

Não Culpes Ninguém | Pablo Neruda
“Não te culpes por nada, nunca te queixes de nada, nem de ninguém, porque fundamentalmente tu tens feito tua vida.
Aceita a responsabilidade de edificar a ti mesmo e o valor de acusar-te no fracasso para voltar a começar; corrigindo-te,
o triunfo do verdadeiro homem emerge das cinzas do erro.
Nunca te queixes do meio ou dos que te rodeiam,
há em teu meio, aqueles que souberam vencer, as circunstâncias
são boas ou más segundo a vontade ou fortaleza de teu coração.
Aprende a converter toda situação difícil em uma arma para brigar.
Não te queixes de tua pobreza, ou de tua sorte,
enfrenta com valor e aceita que de um outra maneira,
tudo dependerá de ti; não te amargures com teu próprio fracasso,
Nem culpes a ninguém por isso, aceita agora ou seguirás
justificando-te como um menino, relembra que qualquer momento é bom para começar e que nenhum é tão terrível para claudicar.
Pare já de enganar-se, és a causa de ti mesmo,
de tua necessidade, de tua dor, de teu fracasso.
Se, tu tens sido o ignorante, o irresponsável, tu, unicamente tu, ninguém pode haver feito por ti.
Não esqueças que a causa de teu presente é teu passado,
como a causa de teu futuro é teu presente.
Aprende com os fortes, os audazes, imita aos enérgicos,
aos vencedores, aos que não aceitam situações,
aos que venceram apesar de tudo.
Pensa menos em teus problemas e mais em teu trabalho
e teus problemas sem alimento morrerão.
Aprende a nascer desde a dor e a ser maior,
que o maior dos obstáculos.
Veja-te no espelho de ti mesmo.
Começa a ser sincero contigo mesmo. Reconhecendo-te pelo teu valor, pela tua vontade e por tua fragilidade para justificar-te.
Recolhe-te dentro de ti mesmo, mais livre e forte,
e deixarás de ser um boneco das circunstâncias,
porque tu mesmo és teu próprio destino
Levanta-te olha as manhãs e respira a luz do amanhecer.
Tua és parte dá força dá vida.
Agora desperta, caminha, luta.
Decide-te e triunfarás na vida
Nunca penses na sorte,
porque a sorte é o pretexto dos fracassados”

sábado, 2 de junho de 2018

O Som de nossa Essência

Quantas vezes em meio ao barulho da vida diária, nos esquecemos de escutar àquilo que vem de dentro de nós?

Buzinas de carro, crianças agitadas, o barulho nas ruas, o som ligado do rádio e da TV, a opinião alheia… uma avalanche de informações que vem de todos os lados e a todo momento.

                 Resultado de imagem para Os barulhos de fora e de dentro podem estar ocultando a nossa voz interior

Quando nos damos conta, estamos impregnados pelo que vem de fora, quase que abarrotados dos outros e vazios de nós mesmos.
Vemos nossa casa interna entulhada com as mais diversas quinquilharias. Nos vemos ansiosos, estressados ou deprimidos, sem nem mesmo saber porque. Transformamos nossos corpos em puros veículos que nos carregam para onde segue nosso desejo ou nosso sentimento de obrigação.
Mas, se paramos por poucos segundos e fecharmos nossos olhos, o que perceberemos é que também há um grande barulho dentro de nós. Ele pode ser representado pelos olhos que, mesmo fechados, sentem uma pressão, como se piscassem. Ou pela respiração sufocada, que pede incessante por um respirar mais profundo. Ou ainda, por um pulsar interno que invade todo o corpo, mostrando que nossos motores estão a todo vapor.
Essa pequena pausa para perceber-se pode ser essencial para a escuta do corpo e alma. Ouvir, discriminar e interpretar os barulhos de dentro nos ajudam a compreender nossos conflitos, nossas intenções e nossas necessidades. Ao nos percebermos com atenção, podemos nos perguntar por exemplo: Por que nos colocamos neste movimento atribulado em relação a vida?
Corremos em direção a algum lugar…ou na verdade corremos de algo do qual queremos fugir ou escapar? Nosso barulho oculta algum outro som que tememos ouvir? Todo esse ruído pode estar encobrindo a nossa própria voz?
Para alguns, deixar que a voz interior se manifeste pode ser amedrontador. Ela pode trazer à tona sentimentos e desejos conflitantes com o momento de vida que se está vivendo ou para o qual se deseja viver. Mas mesmo calada, essa voz teima em estremecer dentro de nós. Ela se agita nos sintomas, sussurra em nossos sonhos, esbraveja através do nosso cansaço e reluta em reivindicar um espaço para se manifestar.
Muitas vezes, percebemos essa voz como verdadeiros monstros cuspidores de fogo que nos consome as forças. Mas, é no encontro com o dragão que também temos a oportunidade de ativar o verdadeiro herói que se esconde em nosso interior: aquele que nos guia corajosamente em busca do tesouro prometido, que não se esquece do seu propósito e amadurece a cada batalha.
Nossa voz, mesmo sobre a forma de dragão enfurecido,  pode ser a nossa salvação. Ela nos conta sobre as necessidades da nossa alma, concebida para a realização. Ela nos desafia porque precisa ser reconhecida. E é bem provável que ela tenha toda razão!
Por 
Pensar Contemporâneo:

sábado, 12 de maio de 2018

A insustentável leveza do ser:


Preferimos a leveza da liberdade ou o peso das responsabilidades? Esse é um questionamento que nos intriga, pois tanto a leveza quanto o peso possuem qualidades e vicissitudes. Então, se ambos são importantes, o que escolher?
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A Insustentável leveza do ser é umas das obras mais filosóficas da literatura mundial e sem a menor sombra de dúvida um clássico. A discussão proposta por Kundera nos deixa sem reação em um primeiro momento, pois essa ambivalência entre a leveza e o peso, talvez, seja a maior incógnita da nossa vida.
Na contemporaneidade, a leveza, ou seja, a ideia de ser livre ganhou destaque. Estar na moda é ser livre, é viver de forma desprendida em relação ao que nos circunda. A liberdade passou a ser vangloriada como uma grande virtude, a virtude daqueles que sabem voar.
Mas será que a leveza é mesmo uma virtude? A felicidade está imbricada à liberdade? O ser leve é aquele que não cria vínculos, não carrega malas, pois os vínculos trazem pesos que o impedem de flutuar pela vida. Para o ser leve não há quem lhe diga o que fazer ou não fazer, o certo ou errado; é livre para expor seus pensamentos, sentimentos e desejos.
O ser leve dança com destreza, ri da vida, afinal, não existe algo que o prenda, que o impeça de falar e fazer o que lhe apetece. Por isso, a leveza era vista por Parmênides (filósofo grego), como positiva. O ser só é completo, quando possui a liberdade para ser o seu eu sem restrições; sem peso.
Assim, a leveza é vista de forma positiva, como uma espécie de ser lúdico que passeia pela vida. De fato, é preciso ter leveza para sonhar, enxergar o inimaginável, arriscar, experimentar. Pois,
"Pelo fato da vida ser, relativamente, tão curta e não comportar “reprises”, para emendarmos nossos erros, somos forçados a agir, na maior parte das vezes, por impulsos, em especial nos atos que tendem a determinar nosso futuro."
Se olhado sob essa perspectiva, o peso é negativo (era assim que Parmênides o via). Entretanto, o que é a vida senão um caminhar de mãos dadas. O peso vem quando nos relacionamos, mais que isso, quando nos permitimos ser tocados. O peso está em tudo que nos move, nos liga. O peso é a voz do outro que ecoa dentro de nós.
O peso nos faz terrenos, nos faz fracos, nos impede, muitas vezes, de fazer, de dizer. Mas, é esse mesmo peso que nos aproxima dos outros, do ser amado e dá sentido á vida. O peso nos aproxima do chão, permite que olhemos nos olhos do outro e possamos sentir a dor que o aflige.
"Mesmo nossa própria dor não é tão pesada como a dor co-sentida com outro, pelo outro, no lugar do outro, multiplicada pela imaginação, prolongada em centenas de ecos"
O amor, assim, está no campo do peso. Tudo que amamos nos traz um peso, já que, quando amamos algo, destinamos uma força enorme para segurá-lo. Não somente uma pessoa, mas também uma causa, a qual nós nos dedicamos tanto, que é impossível viver sem a sua existência.
O peso nos dá sentido e nos guia na neblina. Mas, como peso, traz consequências negativas; choro, tristeza, e, por vezes, nos prende, nos sufoca, como num beco sem saída. Dessa forma, qual o melhor caminho?
“Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está a nossa vida, e mais ela é real e verdadeira. Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes. Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”
A leveza por si só tornar-se insustentável, pois à medida que nos elevamos, uma responsabilidade nos é colocada (e responsabilidades tiram a leveza). A responsabilidade de ser livre impõe decisões sem nenhum apoio, sem nenhuma ajuda, sem importância aos outros.
O peso, por sua vez, nos faz terrenos, dramáticos, necessários, importantes. Como já dito, é preciso sonhar e arriscar, isto é, ser leve. Mas, é preciso ser importante, fazer com que alguém te porte para dentro (importe) e divida a dor que faz parte da vida.
A leveza e o peso são contraditórios e complementares. A vida necessita dos dois. A leveza para voar, sonhar, ri; o peso para amar, importar, chorar. Pois, como diz Machado:
"Enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida."

PUBLICADO EM  literatura POR .

sábado, 5 de maio de 2018


Sou do tamanho do que vejo,"por Fernando Pessoa"


Releio passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um livramento, aquelas frases simples de Caeiro, na referência natural do que resulta do pequeno tamanho de sua aldeia. Dali, diz ele, porque é pequena, pode ver-se mais do mundo do que da cidade; e por isso a aldeia é maior que a cidade.

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                                       “Porque eu sou do tamanho do que vejo
                                  
E não do tamanho da minha altura.”

Frases como estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dito, limpam-me de toda a metafísica que espontaneamente acrescento à vida. Depois de as ler, chego à minha janela sobre a rua estreita, olho o grande céu e os muitos astros, e sou livre com um esplendor alado cuja vibração me estremece no corpo todo.

“Sou do tamanho do que vejo!” Cada vez que penso esta frase com toda a atenção dos meus nervos, ela me parece mais destinada a reconstruir consteladamente o universo. “Sou do tamanho do que vejo!” Que grande posse mental vai desde o poço das emoções profundas até às altas estrelas que se reflectem nele e, assim, em certo modo, ali estão.
E já agora, consciente de saber ver, olho a vasta metafísica objectiva dos céus todos com uma segurança que me dá vontade de morrer cantando. “Sou do tamanho do que vejo!” E o vago luar, inteiramente meu, começa a estragar de vago o azul meio-negro do horizonte. Tenho vontade de erguer os braços e gritar coisas de uma selvageria ignorada, de dizer palavras aos mistérios altos, de afirmar uma nova personalidade larga aos grandes espaços da matéria vazia.
Mas recolho-me e abrando-me. “Sou do tamanho do que vejo!” E a frase fica sendo-me a alma inteira, encosto a ela todas as emoções que sinto, e sobre mim, por dentro, como sobre a cidade por fora, cai a paz indecifrável do luar duro que começa largo com o anoitecer.
Do “Livro do Desassossego”

domingo, 22 de abril de 2018

Dia da Terra

O Dia da Terra é comemorado anualmente em 22 de abril, em todo planeta.
Também chamado de Dia do Planeta Terra ou Dia da Mãe Terra, esta é uma data para reconhecer a importância do planeta, e para refletir sobre como podemos colaborar para proteger a Terra.

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O nosso planeta está a ser destruído e se nós não fizermos nada, um dia, nada vai restar. As pessoas que querem ajudar devem dizer às outras para também colaborarem. Mas para isso temos de respeitar a Natureza obedecendo à política dos 3 r`s que são: reduzir, reutilizar e reciclar.

ORIGEM DO DIA DA TERRA

O Dia da Terra foi comemorado pela primeira vez nos Estados Unidos, no dia 22 de abril de 1970. No primeiro "Dia da Terra", o senador americano Gaylord Nelson (1916-2005) organizou um fórum ambiental que chamou a atenção de 20 milhões de participantes.
Atualmente, o Dia da Terra é comemorado por aproximadamente mais de 500 milhões de pessoas ao redor de todo o mundo.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - Unesco intitula esta data como "Dia Internacional da Mãe Terra".

quinta-feira, 19 de abril de 2018

A sabedoria de Cora Coralina em 4 poemas

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Aninha e suas pedras
Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
Rumos errados
A caminhada …
Amassando a terra.
Carreando pedras.
Construindo com as mãos
sangrando
a minha vida.
Deserta a longa estrada.
Mortas as mãos viris
que se estendiam às minhas.
Dentro da mata bruta
leiteando imensos vegetais,
cavalgando o negro corcel da febre,
desmontado para sempre.
Passa a falange dos mortos …
Silêncio! Os namorados dormem.
Os poetas cobriram as liras.
Flutuam véus roxos
no espaço.
Não sei
Não sei…
se a vida é curta
ou longa demais para nós.
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura…
enquanto durar.
Humildade
Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.
Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.
Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.
Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.”
Cora Coralina, poetisa goiana.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Hoje Lembrei:

Carlos Paredes, figura incontornável da música portuguesa


 Carlos Paredes (Coimbra, 16 de Fevereiro de 1925 — Lisboa, 23 de Julho de 2004), foi um compositor e guitarrista português. Ele era conhecido como O mestre da guitarra portuguesa ou O homem dos mil dedos.


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Foi um dos grandes guitarristas e é um símbolo ímpar da cultura portuguesa. É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa e grande compositor.
Ao contrário do que muitos pensam, Carlos Paredes é um guitarrista tipicamente de Coimbra, para além das influências dos seus antepassados - pais, avós, tios, todos eles exímios guitarristas de Coimbra - a guitarra é de Coimbra, a afinação é de Coimbra e mesmo o estilo é tipicamente Coimbrão. Vida Filho, neto e bisneto dos famosos guitarristas Artur, Gonçalo Paredes e José Paredes, ele começou a estudar guitarra portuguesa aos quatro anos com o seu pai, embora a mãe preferisse que o filho se dedicasse ao piano, frequenta o Liceu Passos Manuel, começando também a ter aulas de violino na Academia de Amadores de Música.
Na sua última entrevista, recorda: "Em pequeno, a minha mãe, coitadita, arranjou-me duas professoras de violino e piano. Eram senhoras muito cultas a quem devo a cultura musical que tenho". Em 1934, muda-se para Lisboa com a família, e abandona o violino para se dedicar, sob a orientação do pai, completamente à guitarra. Carlos Paredes fala com saudades desses tempos: "Neste anos, creio que inventei muita coisa.
Criei uma forma de tocar muito própria que é diferente da do meu pai, do meu avô, bisavô e tetratavô". Carlos Paredes inicia em 1939 uma colaboração regular num programa de Artur Paredes na Emissora Nacional e termina os estudos secundários num colégio particular. Em 1943 faz exame de admissão ao Curso Industrial do Instituto Superior Técnico, que não chegou a concluir e inscreve-se nas aulas de canto da Juventude Musical Portuguesa, tornando-se em 1949 funcionário administrativo do Hospital de S. José.
Em 1957 grava o seu primeiro disco, a que chamou simplesmente "Carlos Paredes". Em 1958, é preso pela PIDE por fazer oposição a Salazar, é acusado de pertencer ao Partido Comunista Português, de que era de facto militante, sendo libertado no final de 1959 e expulso da função pública na sequência de julgamento.
Durante este tempo andava de um lado para o outro da cela fingindo tocar música, o que levou os companheiros de prisão a pensar que estaria louco - de facto, o que ele estava a fazer, era compor músicas na sua cabeça.
Quando voltou para o local onde trabalhava no Hospital, uma das ex-colegas, Rosa Semião, recorda-se da mágoa do guitarrista devido à denúncia de que foi alvo: «Para ele foi uma traição, ter sido denunciado por um colega de trabalho do hospital. E contudo, mais tarde, ao cruzar-se com um dos homens que o denunciou, não deixou de o cumprimentar, revelando uma enorme capacidade de perdoar!» Em 1962, é convidado pelo realizador Paulo Rocha, para compor a banda sonora do filme Os Verdes Anos: «Muitos jovens vinham de outras terras para tentarem a sorte em Lisboa.
Isso tinha para mim um grande interesse humano e serviu de inspiração a muitas das minhas músicas. Eram jovens completamente marginalizados, empregadas domésticas, de lojas - Eram precisamente essas pessoas com que eu simpatizava profundamente, pela sua simplicidade». Recebeu um reconhecimento especial por “Os Verdes anos”. Tocou com muitos artistas, incluindo Charlie Haden, Adriano Correia de Oliveira e Carlos do Carmo. Escreveu muitas músicas para filmes e em 1967 gravou o seu primeiro LP "Guitarra Portuguesa".
Quando os presos politicos foram libertados depois do 25 de Abril de 1974, eram vistos como heróis. No entanto, Carlos Paredes sempre recusou esse estatuto, dado pelo povo. Sobre o tempo que foi preso nunca gostou muito de comentar. Dizia «que havia pessoas, que sofreram mais do que eu!». Ele é reintegrado no quadro do Hospital de São José e percorre o país, actuando em sessões culturais, musicais e políticas em simultâneo, mantendo sempre uma vida simples, e por incrível que possa parecer, a sua profissão de arquivista de radiografias.
Várias compilações de gravações de Carlos Paredes são editadas, estando desde 2003 a sua obra completa reunida numa caixa de oito CDs. A sua paixão pela guitarra era tanta que, conta que certa vez, a sua guitarra se perdeu numa viagem de avião e ele confessou a um amigo que «pensou em se suicidar».
Uma doença do sistema nervoso central (mielopatia), impediu-o de tocar durante os últimos 11 anos da sua vida. Morreu em 23 de Julho de 2004 na Fundação Lar Nossa Senhora da Saúde em Lisboa, sendo decretado Luto Nacional.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Talvez um Dia:

Talvez eu venha a envelhecer rápido demais.Mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena.

Talvez eu sofra inúmeras desilusões no decorrer de minha vida.Mas farei que elas percam a importância diante dos gestos de amor que encontrei.


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Talvez eu não tenha forças para realizar todos os meus ideais.Mas jamais irei me considerar um derrotado.
Talvez em algum instante eu sofra uma terrível queda.Mas não ficarei por muito tempo olhando para o chão.
Talvez um dia o sol deixe de brilhar.Mas então irei me banhar na chuva.
Talvez um dia eu sofra alguma injustiça.Mas jamais irei assumir o papel de vítima.
Talvez eu tenha que enfrentar alguns inimigos.Mas terei humildade para aceitar as mãos que se estenderão em minha direção.
Talvez numa dessas noites frias, eu derrame muitas lágrimas.Mas não terei vergonha por esse gesto.
Talvez eu seja enganado inúmeras vezes.Mas não deixarei de acreditar que em algum lugar alguém merece a minha confiança.
Talvez com o tempo eu perceba que cometi grandes erros.Mas não desistirei de continuar trilhando meu caminho.
Talvez com o decorrer dos anos eu perca grandes amizades.Mas irei aprender que aqueles que realmente são meus verdadeiros amigos nunca estarão perdidos.
Talvez algumas pessoas queiram o meu mal.Mas irei continuar plantando a semente da fraternidade por onde passar.
Talvez eu fique triste ao concluir que não consigo seguir o ritmo da música.Mas então, farei que a música siga o compasso dos meus passos.
Talvez eu nunca consiga enxergar um arco-íris.Mas aprenderei a desenhar um, nem que seja dentro do meu coração.
Talvez hoje eu me sinta fraco.Mas amanhã irei recomeçar, nem que seja de uma maneira diferente.
Talvez eu não aprenda todas as lições necessárias.Mas terei a consciência que os verdadeiros ensinamentos já estão gravados em minha alma.
Talvez eu me deprima por não ser capaz de saber a letra daquela música.Mas ficarei feliz com as outras capacidades que possuo.
Talvez eu não tenha motivos para grandes comemorações.Mas não deixarei de me alegrar com as pequenas conquistas.
Talvez a vontade de abandonar tudo torne-se a minha companheira.Mas ao invés de fugir, irei correr atrás do que almejo.
Talvez eu não seja exatamente quem gostaria de ser.Mas passarei a admirar quem sou.Porque no final saberei que, mesmo com incontáveis dúvidas, eu sou capaz de construir uma vida melhor.
E se ainda não me convenci disso, é porque como diz aquele ditado: “ainda não chegou o fim”Porque no final não haverá nenhum “talvez” e sim a certeza de que a minha vida valeu a pena e eu fiz o melhor que podia.

Aristóteles Onassis

domingo, 15 de abril de 2018



Podemos estar a ingerir mais de 100 minúsculos fragmentos de plástico em cada refeição que comemos, avisaram os cientistas da Universidade de Heriot-Watt, em Edimburgo

Estas partículas – que podem provir, por exemplo, das roupas de tecidos sintéticos, das alcatifas e dos artigos têxteis de decoração – misturam-se com o pó das casas e caem sobre os pratos das nossas refeições enquanto comemos. 
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Para o estudo, os cientistas colocaram fita adesiva dentro de placas de Petri e dispuseram-nas na mesa de jantar de três casas, juntamente com os pratos da refeição. Analisando o número de partículas de plástico descobertas nas placas ao fim de uma refeição de 20 minutos, os investigadores calcularam que caíriam 114 fibras deste material nos pratos, durante o mesmo período de tempo.

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Isto significa que, no curso de um ano, ingerimos entre 13 731 e 68 415 fibras de plástico potencialmente perigosas, devido à sua presença na poeira das casas, concluíram os autores do estudo. "Os investigadores quiseram comparar estes valores à quantidade de fibras de plástico que as pessoas poderão ingerir através do consumo de mexilhão 

Cada mexilhão estudado continha menos de dois microplásticos, o que os levou a calcular que o seu consumo se traduziria na ingestão de 100 microplásticos por ano – um valor muito inferior à quantidade ingerida graças ao pó das casas. 

“Estes resultados poderão ser surpreendentes para algumas pessoas que talvez esperem que o número de fibras de plástico no peixe e no marisco seja superior ao presente no pó das casas”, disse Ted Henry, professor de toxicologia ambiental e um dos autores do estudo. “Não sabemos de onde estas fibras provêm, mas é provável que seja do interior das casas e do ambiente em sentido mais lato.” 

Para além de poderem ser ingeridas, estas partículas de plástico presentes na poeira também podem ser inaladas. “A maioria das pessoas não terá conhecimento de que há partículas minúsculas de plástico no pó das estradas e no ar”, avisou Tamara Galloway, professora e especialista em ecotoxicologia da Universidade de Exeter. 

“As microfibras de plástico encontradas no pó das nossas casas e no ar que respiramos podem provir dos pneus dos carros, das alcatifas e dos artigos têxteis de decoração, assim como de roupas como os casacos polares”, explicou Julian Kirby, da organização Friends of the Earth. 

“Estes objetos estão constantemente a libertar minúsculos fragmentos de plástico para o ambiente, à medida que se vão gastando. Precisamos urgentemente que o governo adote um plano de ação para acabar com a poluição por plástico e para investigar os possíveis impactos deste plástico na saúde humana.”

quinta-feira, 5 de abril de 2018

As mulheres realmente são mais fortes que os homens — aponta um novo estudo

Um estudo académico recente apontou o que todo mundo já suspeitava: as mulheres realmente são mais fortes que os homens. A estrutura corporal dá ao homem a condição de ter mais força física, porém isso não significa ter mais resistência. Descobertas científicas indicam que as mulheres, em condições extremas, como fome, epidemias e escravidão, resistem e sobrevivem por mais tempo que eles.
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Para chegar a esse apontamento, acadêmicos da Universidade do Sul da Dinamarca investigaram alguns casos históricos em que as populações estiveram expostas a situações extremas de dificuldades. Em todos os casos analisados, as mulheres superaram os homens na questão de sobrevivência.
Em situação normal já era confirmado que elas superam eles na expectativa de vida, não apenas pela questão cultural que se refere aos cuidados que elas dedicam mais a sua saúde, mas também por uma questão de favorecimento biológico, ou seja, são biologicamente mais resistentes.
Esse favorecimento biológico se refere às questões hormonais, no qual sugere que os estrogênios, encontrados e maior quantidade nas mulheres, têm efeitos anti inflamatórios, enquanto a testosterona, encontrada em maiores quantidades nos homens, pode realmente suprimir o sistema imunológico.
casos analisados, em que ambos os gêneros tinham um estilo de vida e comportamento social semelhantes, como as freiras enclausuradas e os monges, confirmaram que uma diferença na expectativa de vida ainda persiste, com uma ligeira vantagem para elas.
Também a mortalidade infantil é maior no gênero masculino, em todas as situações sociais analisadas.
Embora esses dados pertencentes às sociedades modernas e ambientes normais já fossem confirmados de há muito tempo, com o resultado de que, salvo por algumas condições sociais em determinado lugares, a regra é de que as mulheres superem os homens, os pesquisadores tinham como objeto descobrir qual gênero era mais resistente em situações anormais de adversidades.
Foram investigados casos como a fome irlandesa de 1845-1849, as epedimias de sarampo da Islândia de 1846 e 1882 e as experiências de escravos liberianos libertos que retornaram à África dos EUA no início do século XIX, onde encontraram um clima de doença muito diferente que matou muitos .
O estudo descobriu que, em todas as populações submetidas à análise, as mulheres apresentavam menor mortalidade em quase todas as idades, até mesmo na faixa etária da infância, comprovando que os meninos eram menos resistentes.
Com base nessas descobertas, os pesquisadores concluíram: “A hipótese de que a vantagem de sobrevivência das mulheres tem fundamentos biológicos fundamentais é sustentada pelo fato de que, em condições muito duras, as mulheres sobrevivem melhor do que os homens, mesmo em idades infantis, quando diferenças comportamentais e sociais podem ser mínimas ou favorecer os homens “.
A autora principal do novo estudo, a professora Virginia Zarulli, escreveu na revista PNAS: “As condições experimentadas pelas pessoas nas populações analisadas foram horríveis. Mesmo que as crises reduzissem a vantagem de sobrevivência feminina na expectativa de vida, as mulheres ainda sobrevivem melhor do que os homens.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Grutas da Quinta do Anjo

As Grutas da Quinta do Anjo são formadas por quatro grutas artificiais e baseiam-se em monumentos funerários com características muito particulares.
Estas grutas são do conhecimento internacional graças à originalidade da cerâmica que ali se encontrou tendo sido classificado como Monumento Nacional no ano de 1934

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Integram-se na época do Neolítico Final (há cerca de 4500 anos), mas depois desta data, elas continuaram a servir o seu propósito como locais de enterramento coletivo durante a Idade do Cobre.
Nas rochas foram escavados alguns compartimentos mais ao menos circulares, um corredor que lhe dá acesso e uma antecâmara. As grutas apresentam-se com um topo aplanado, com uma câmara sub-circular, com uma abóbada e com uma clarabóia superior mesmo no centro. Uma antecâmara (como já foi dito) de planta ovalada e um corredor estreito que permite o acesso à entrada da câmara. Sabe-se que durante mais ao menos 1 500 anos estas grutas serviram de local para enterrar os mortos e fazer rituais funerários aos familiares dos pastores e agricultores que por ali habitavam.
As citadas grutas que se localizam em Palmela foram descobertas no final do século XIX de forma fortuita aquando da realização de atividades de extração de calcário no local.
Estas atividades destruíram parcialmente uma das necrópoles das grutas três e quatro. Sabe-se que estas grutas foram mandadas escavar por António Mendes com orientação de Carlos Ribeiro no ano de 1876, embora exista a certeza de que tenham existido trabalhos anteriores.
 Muitos instrumentos foram aqui encontrados nomeadamente no que se refere a mobiliário funerário dando-se destaque a grandes lâminas, pontas de seta, machados e enxós em pedra polida, cerâmicas lisas como taças de calote, cerâmica campaniforme, objetos de adorno, ídolos cilíndricos e placas de xisto decoradas e recipientes em calcário. Juntamente com todos estes elementos foram também recolhidos vestígios ósseos.
É António Marques da Costa que no ano de 1906 volta às escavações neste local e é nessa mesma altura que desperta o interesse por este local, quer de investigadores nacionais quer estrangeiros.

domingo, 18 de março de 2018

Castelos de Portugal

Castelo de Óbidos


Um verdadeiro símbolo histórico de Portugal, o Castelo de Óbidos está completamente restaurado nos dias de hoje, sendo este um dos mais belos castelos em actividade.
O Castelo de Óbidos encontra-se sobre um modesto penhasco à beira de um extenso areal, que ainda recentemente as águas do mar acabaram por cobrir. Óbidos pode hoje orgulhar-se do interesse que muitos portugueses e turistas mostram ter pelo Castelo de Óbidos.
O Castelo de Óbidos está localizado no distrito de Leiria, numa vila que detém o mesmo nome, a vila de Óbidos, pertencente à freguesia de Santa Maria.
Formando um quadrado, com cerca de 30 metros de lado, a muralha casteleira reforçada de torreões cilíndricos nas faces setentrional e austral, bem como nos vértices de noroeste e sudoeste, e de torres quadrangulares nos de nordeste e sueste, este cerca um terreiro no qual se erguia o Paço do Alcaide, cujas ruínas deram uma nova vida. Foi trabalhado um projecto há poucos anos que continha a intenção de restaurar o Castelo. Tendo sido aplicada esta restauração, por intermédio da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.
Uma torre bastante robusta, adoçada a face ocidental da muralha, integra-se no conjunto casteleiro. A face oriental da muralha constitui, por melhor dizer, a parte nuclear daquela que envolve o castelo e a vila, e que se prolonga por ambos os lados em direcção a sul. Este que vai dar origem a um fecho em ponta, tendo percorrido cerca de meio quilómetro, da chamada Torre do Facho, criando assim a forma de um triângulo isóscele.
No seu conjunto actual, o Castelo de Óbidos, representa a fase final de uma série construtiva que é possível acompanhar de perto.
Este Castelo foi mencionado como uma das Sete Maravilhas de Portugal em 2007, sendo este classificado como um Monumento Municipal.

História do Castelo de Óbidos

Está estudado que este morro foi um local habitado em tempos pré-históricos. Muitas provas que foram surgindo ao longo dos anos e as suas próprias condições naturais. Algumas das provas encontradas neste local foram os vestígios alimentares, embora ténues, e sobretudo a circunstância de indubitavelmente terem sido habitantes, nessas remotas eras, as colinas vizinhas, o Outeiro da Assenta, o Outeiro de Santo Antão, entre outros pontos históricos importantes.
Como porto marítimo, Óbidos chamou à atenção dos vários povos cujo domínio sucessivamente se exercia no ocidente da Península. No decorrer desses sucessos, os Romanos de certa forma, e com certeza os invasores Muçulmanos, a fortificaram. Não passam despercebidas as pequenas parcelas, ainda hoje existentes, com feições mouriscas.
O Castelo de Óbidos está completamente restaurado nos dias de hoje, sendo este um dos mais belos castelos em actividade (Autor: Francisco Antunes)
O Castelo de Óbidos está completamente restaurado nos dias de hoje, sendo este um dos mais belos castelos em actividade (Autor: Francisco Antunes)
De tudo o resto, pode-se ainda observar e imaginar a resistência que a hoste de D. Afonso Henriques possa ter encontrado neste espaço, quando em 1148, após a conquista de Santarém e Lisboa, o primeiro Rei lançou-se com objectivo de apoderar-se de todas as regiões vizinhas.
Os grandes progressos construtivos dessas fortificações acompanharam de algum modo os sucessos da história local.
Tendo sido documentado que em 1153, o Castelo de Óbidos passaria a ser uma referência, e do reinado seguinte, o de D. Sancho I, restando como prova, uma inscrição da Torre do Facho.
Os anos foram passando e, em torno do século, Óbidos encaixou-se entre as terras que, leais ao deposto D. Sanho II, negaram reconhecer autoridade ao Conde de Bolonha, futuro D. Afonso III, resistindo assim em 1246 sem desfalecimentos, vitoriosamente nos ataques contra a vila e o castelo. Moveram para longe as hostes de Afonso, dando assim o notável exemplo de indefectível lealdade que o próprio regente, tornado Rei, veio a reconhecer e até mesmo a homenagear.
A possibilidade da invencível resistência mostra que Óbidos era uma povoação muralhada, situação perfeitamente harmónica dada a sua importância e desenvolvimento demográfico. Não só porque, embora seja desconhecido o seu foral antigo, há documentos de 1254 que mostram em pleno o desenvolvimento municipal, mas também por se saber que em 1259 já estavam edificados quatro templos.
Depois de variadas guerras, com o decorrer dos séculos ao acabar estes períodos de guerra, Óbidos e o seu Castelo foram parcos em ocorrências bélicas, que brilham ainda neles um halo de lealdade e um imperecível timbre dos seus feitos.

sábado, 10 de março de 2018

Alcácer do Sal

Um saltinho aqui ao lado:

Na margem direita do rio Sado, a cidade estende-se sobre uma pequena colina, vigiada pelo castelo que se ergue em posição dominante no topo do monte.

                  Alcácer do Sal

Alcácer do Sal é uma cidade povoada desde tempos bastante remotos, com vestígios arqueológicos que remontam ao Neolítico, e indícios da passagem de gregos, fenícios entre outros povos da bacia do Mediterrâneo. Desde os primeiros tempos da ocupação do homem, a pesca e a exploração do sal foram as principais fontes de subsistência dos seus habitantes, superados apenas pela cultura do arroz em meados do século XIX. Durante os tempos de ocupação romana, a cidade teve bastante relevância no sector industrial pela sua privilegiada localização nas margens do rio Sado, perto da sua foz, facilitando o escoamento de produtos vindos do interior (como o trigo, azeite e vinho) para outras cidades mediterrânicas do Império Romano. Durante longos anos foi uma das cidades de porto interior mais importantes da Península Ibérica, conhecida pelo fabrico de sal e pelas indústrias derivadas de salga e pasta de peixe.

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Um fim de semana em Alcácer do Sal pode servir de justificação para uma série de passeios pela região de Setúbal e Península de Tróia.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Almada através dos tempos:

Almada foi, em tempos, um lugar aprazível para a nobreza. Quando o ambiente na capital do reino por razões políticas se tornava pesado, os nobres vinham para as propriedades que possuíam nas terras da Outra Banda, então denominada Lisboa Oriental, conforme se pode constatar em documentos datados de 1760.

         Cova da Piedade 1890, a ponte do Caramujo
                           Cova da Piedade, Arnaldo Fonseca, 1890
                                   Imagem: Boletim do Grémio Portuguez d’Amadores Photographicos *
Aqui descansavam e deliciavam-se com a calma e frescura dos pinhais da Trafaria e Sesimbra. No caso de Dom Pedro V, o seu refúgio preferido era o Porto Brandão, onde possuía casa real. Era ai que repousava das deslocações que fazia à Lagoa de Albufeira, em Sesimbra, para caçar coelhos e patos, que na época abundavam nas suas matas e falésias.

Almada e as terras do seu termo eram um autêntico paraíso para a nobreza. De entre as muitas famílias nobres, podem-se citar os Marqueses de Fronteira, que possuíam o seu palácio no local onde hoje é a Rua Capitão Leitão bem como algumas quintas em Almada e na Charneca da Caparica.
No sítio de Mutela, existiu a Quinta do Armeiro-Mor, onde o seu solar era propriedade dos Senhores do Morgado de Mutela, sendo os seus últimos proprietários os descendentes do 1ºConde de Vilafranca, filho mais novo do 1ºConde de Mesquitela.

Outra família de grande prestígio, foi a dos Abranches, proprietários da Quinta da Ramalha e da Quinta de Possolos, na Caparica.
Muito embora Almada fosse no passado lugar de vivência da nobreza como: os Marqueses de Valença, com casa e propriedades na Fonte Santa, os Condes de São Lourenço, donos da Quinta do Olho de Boi e os Condes da Cunha, proprietários da Quinta da Palença era, contudo, nas terras do seu termo, que predominavam as famílias mais abastadas, os Távoras, na Caparica e os Zagallos , na Sobreda.
OS Távora, Senhores do Morgado da Caparica, eram possuidores para além de muitas terras, das quintas da Romeira, do Joinal da Estrela e do Madorno. Elevados a Condes da Caparica, sendo o seu 1ºConde D. Francisco de Meneses da Silveira Castro, 12º Senhor do Morgado e 1ºMarquês de Valada. o seu brasão de arenas, pode ser visto na fachada da igreja do Convento dos Capuchos, fundado no ano de 1558 por, Lourenço Pires de Távora 4ºSenhor do Solar e Morgado da Caparica.
Os Zagallos, senhores do Morgado da Sobreda, são oriundos de Reguengos de Monsaraz. Esta família nobre chega à Caparica no reinado de D. João II e em 1745 o desembargador Rodrigo de Oliveira Zagallo instituiu um morgado na Sobreda.O Solar dos Zagallos, também conhecido por Quinta dos Pianos, que foi inicialmente uma casa agrícola, é uma casa apalaçada de primeiro andar com pátio de entrada e com uma vistosa escadaria de acesso aos dois salões nobres. O edifício e anexos sofreram diversas intervenções nos séculos XVIII, XIX e XX e conserva das diversas épocas azulejos, estuques e pinturas. O Solar possui três capelas, duas das quais nos jardins. A que se encontra integrada no corpo do edifício, a de Stº. António, tem ricas talhas e é forrada a azulejos representando cenas religiosas e profanas.
O Jardim do Solar dos Zagallos possui áreas profundamente interiorizadas, directamente ligadas ao edifício e cuja característica principal assenta no seu traçado clássico.Este jardim conta igualmente com um espaço de maiores dimensões, baseado também numa estrutura clássica suportada por eixos preferenciais, agregando em simultâneo pequenas zonas em que o tratamento está mais próximo do naturalizado.

Na alameda principal encontra-se uma capela devotada ao Senhor dos Passos, onde está sepultado Francisco de Paula Carneiro Zagallo e Mello ( 1772 - 1837 ). Esta capela está decorada com ricos painéis de azulejos ilustrando a parábola do filho pródigo.
À entrada do Solar, no lado direito do jardim, está um painel figurativo a azul cobalto, datado do primeiro quartel do século XVIII, representando no plano inferior a fuga da Sagrada Família para o Egipto. No plano superior encontra-se um registo da apresentação do Menino aos doutores do templo.O Solar dos Zagallos é, hoje em dia, propriedade da Câmara Municipal de Almada, tendo sido objecto de uma profunda intervenção, visando a sua recuperação e preservação, donde resultou uma interessante peça do equipamento cultural do Município.
Raro o mês em que a agenda não anuncia neste interessante espaço cultural a realização de exposições ou de eventos musicais, para o qual se encontra especialmente vocacionado.

Texto tirado de "Noticias /historia; Costa Caparica"