quinta-feira, 11 de junho de 2020

A velhice começa quando perdemos nossa curiosidade

Se há uma coisa que nos faz continuar na vida é a curiosidade: o desejo de aprender sobre coisas, experiências e novos mundos. A curiosidade nasce conosco e permanece connosco ao longo de nossas vidas. Quando sentimos que não há nada que nos leve a descobrir coisas novas, isso significa que temos um problema.

Por esta razão, o escritor português Saramago disse que “a velhice começa quando perdemos a nossa curiosidade “. Em outras palavras, ligamos o conceito de juventude à vitalidade e o desejo de desfrutar o mundo sem limites; enquanto a ideia de velhice está ligada à empatia pela vida e à perda de apetite que nos leva a querer descobrir algo mais sobre o nosso entorno.
“Eu nunca poderia, em qualquer idade, ser feliz sentada perto de uma lareira, apenas observando. A vida é para ser vivida. A curiosidade deve sempre permanecer viva. Ninguém deveria, por qualquer razão no mundo, virar as costas para a vida “.

A curiosidade é o traço distintivo das crianças

Certamente você notou que as crianças, especialmente quando são pequenas, têm um desejo incrível de saber. Elas estão cheias de energia que as empurra para fazer perguntas sobre tudo, querer tudo, tocar em tudo que atravessam. É normal, porque elas estão crescendo e querem entender onde estão e o que a vida pode oferecer a elas.

De certa forma, este é o primeiro passo em sua aprendizagem como pessoas, e nós, adultos, somos responsáveis por alimentar essa curiosidade e desenvolvê-la de maneira positiva e intelectual. Nós também aprendemos dessa maneira a manter sempre nossa curiosidade viva, o que nos guia e nos impele a nos superar. É isso que nos faz sentir jovens e ainda um pouco crianças: não envelhecer.

O reverso da curiosidade.

Precisamente porque a curiosidade nos impele a explorar o mundo, alguns estudos também foram realizados para descobrir por que somos curiosos. A pesquisa levou à conclusão, em suma, de que somos mais curiosos quando já sabemos algo sobre um assunto e queremos aprender mais.

A curiosidade nesses casos pode ser representada como um U inverso, em que o ponto de partida desperta em nós a curiosidade de saber para onde vai esse U. Este fator está relacionado a outros estudos que demonstraram que a curiosidade está ligada à memória e à aprendizagem: a curiosidade nos ajuda a reter na memória o que poderíamos chamar de “aprendizado motivado”, como se fosse uma recompensa.

Como alimentar a curiosidade
Tendo dito isso, você entenderá bem por que relacionamos a velhice à falta de curiosidade: parar de querer aprender significa privar a vida de seu significado. É importante manter a curiosidade viva, aquela que nos levou a ouvir uma conversa atrás de uma porta para descobrir a América além do oceano. Graças à curiosidade, os estudos em todos os campos do conhecimento fizeram enormes progressos.
A melhor maneira de alimentar a curiosidade é estimulá-la de maneira positiva, e é assim que você tem a ver com as crianças. Aqui estão algumas maneiras de fazer isso:
• Desenvolver a imaginação: experimente e deixe-as experimentar, tente transformar atividades cotidianas em novas aventuras nas quais você aprende algo novo todos os dias.
• Dê o exemplo: se você quer que uma criança aprenda algo, acompanhe suas palavras com um exemplo. Se ela perceber que você também é curioso, mesmo diante de pequenas coisas, ela também será.
• Responda às suas perguntas: não adianta dizer a uma criança “por que eu digo” ou “por que é”. Desta forma, você só será capaz de silenciá-la. Tente sempre dar uma explicação coerente, essas explicações vão lhe trazer mais perguntas.
• Deixe-as fazer as coisas por conta própria: as crianças devem descobrir que erros podem ser cometidos e que são necessários para o aprendizado. Se você der a ela a oportunidade de aprender, estará ajudando-a a aprender como lidar com situações difíceis e, ao mesmo tempo, aumentar sua criatividade.
“Felizmente, a natureza me deu uma curiosidade irracional, mesmo pelas coisas mais insignificantes. Isso é o que me salva. A curiosidade é a única coisa que me mantém à tona. Tudo o resto me faz afundar “.-Pedro Almodóvar-
(Artigo extraído e traduzido de La Mente é Meravigliosa)

terça-feira, 9 de junho de 2020

Monumento aos "Perseguidos" Almada

O Monumento aos "Perseguidos" localizado na Praça MFA em Almada, um símbolo de testemunho de vida, em homenagem a todos aqueles que foram perseguidos pelo regime fascista
 

Representa figurativamente um homem e uma mulher num claro clima de tensão.
"O monumento Os Perseguidos e uma nova organização simbólica da cidade.
Tinham passado três anos sobre a Revolução, e no primeiro ano de mandato de José Martins Vieira na Presidência da Câmara de Almada, após as primeiras eleições livres para o Poder Local em 1976, o Jornal de Almada, na sua edição de Novembro de 1977, noticiava que o Município manifestara publicamente a vontade de erigir uma nova estátua para Almada.
Foi o vereador da Cultura, o jovem Francisco Simões, que acabara de concluir o curso de Escultura na Academia de Música e Belas Artes da Madeira e que naturalmente se terá cruzado com o professor escultor Pedro Anjos Teixeira naquela instituição, confrontou-se com a existência de uma sua escultura denominada ‘Os Perseguidos’, de 1969. Esta terá sido concebida por Anjos Teixeira como ‘obra protesto’ em solidariedade para com os homens e mulheres do povo e com os intelectuais antifascistas perseguidos pela ditadura. Respondendo na perfeição ao sentimento da viva homenagem dos almadenses a todos os antifascistas locais"
No concelho de Almada, muitos foram os perseguidos por motivos de natureza política e social.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Direitos Humanos...O mundo chora por Zohra:

O mundo chora por Zohra: a empregada doméstica de 8 anos que teve sua vida ceifada por libertar dois papagaios

 


A história de Zohra Shah viralizou na rede e tem causado comoção e severas reflexões sobre o mundo que estamos a construir no presente.
A menina tinha somente 8 anos de idade, mas sequer a sua inocência foi suficiente para salvá-la da morte. Zohra Shah foi morta no Paquistão por ter cometido o crime de amar, neste mundo de desamor e maldades: ela libertou dois papagaios caros da gaiola.
Os crimes contra Zohra não se iniciam no momento do homicídio. Ela fora mandada para a casa de uma família abastada para trabalhar: lembrando que ela tinha apenas 8 anos.
Essa entrega da filha advém da pobreza generalizada existente no Paquistão. Em razão dessa miserabilidade reinante, não raro as famílias entregam seus filhos para outras famílias para servirem de ajudantes domésticos, não obstante a sua pouca idade.
Esse também foi o destino de Zohra, que trabalhava como empregada doméstica em um rico distrito de Rawalpindi, a quarta maior cidade do Paquistão.
A história de Zohra, contudo, demonstra uma crueldade inédita. Ela encontrou não só a exploração do seu trabalho, mas também a morte, e por um motivo justo, honroso e elevado: ela queria ver os pássaros livres a voar pelos ares. Talvez tenha se angustiado ao vê-los aprisionados em uma gaiola.
Quatro meses antes do crime, Zohra começou a trabalhar para a família de Hasan Siddiqui e sua esposa Umm Kulsoom. Mas, na segunda-feira, o homem confessou à polícia que sua esposa havia espancado Zohra porque a menina havia libertado seus papagaios.
A garota veio de Muzaffargarh, um distrito no sul de Punjab, localizado a cerca de 580 quilômetros da capital Islamabad. A família a enviou para viver e trabalhar para o casal e “receber uma boa educação”, mas, infelizmente, ela encontrou a morte.
O casal foi preso e confessou o crime.
“Siddiqui chutou a garota, havia hematomas por todo o corpo e ela estava sangrando”, disse o policial Mukhtar Ahmed, que está investigando o caso.
Depois de cometer a violência, os dois levaram a menina ao Hospital Memorial Begum Akhtar Rukhsana, onde a equipe confirmou sinais de violência, mas a menina não resistiu e faleceu em virtude dos graves ferimentos.
O assassinato brutal provocou indignação geral no Twitter. Todo mundo está pedindo justiça para a pobre Zohra. O ministro paquistanês de direitos humanos, Shireen Mazari, escreveu no Twitter que seu ministério estava em contato com a polícia, ele estava acompanhando o caso e propondo reformas internas nas leis trabalhistas.
A Organização Internacional do Trabalho estima que existam pelo menos 8,5 milhões de trabalhadores domésticos no Paquistão, muitos dos quais são mulheres ou crianças. A situação de dezenas de milhares de crianças que trabalham no país é alarmante. Eles são contratados pelos pais anualmente ou mensalmente e a violência contra eles é comum. Em janeiro do ano passado, Uzma, 16, foi assassinado na cidade oriental de Lahore por empregadores por comerem seus alimentos.
No ano passado, a Assembléia do Punjab aprovou a Lei dos Trabalhadores Domésticos do Punjab para regular o trabalho doméstico e registrar os funcionários, mas infelizmente isso não é suficiente para evitar assassinatos brutais como o de Zohra.
“Ainda um grande número de funcionários em Punjab não está registrado, faz trabalho não remunerado e crianças são torturadas até a morte”, disse Arooma Shahzad, secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos.
Que a terra seja leve para você.
Fontes de referência: GreenMe, Nacional , Justgiving

domingo, 7 de junho de 2020

O Cais do Ginjal do futuro

Um dos mais cobiçados pontos turísticos da margem sul do Tejo vai ser renovado. O decadente Cais do Ginjal terá casas, hotéis, jardins, espaços culturais, lojas e restaurantes. Mas ainda não há data. "e,três anos passaram"

Lisboa | Cais do Ginjal and Ponte 25 de Abril | The world in images

Banhado pelo rio, na margem esquerda do Tejo, o Cais do Ginjal tem, provavelmente, a melhor vista sobre Lisboa e tornou-se um ponto de paragem obrigatória para os turistas que chegam a Cacilhas e que ignoram os avisos de perigo repetidos ao longo de um quilómetro. Mas a degradação do Ginjal está com os dias contados. Os velhos edifícios que se estendem entre o terminal fluvial e o Jardim do Rio vão dar lugar a casas, lojas, restaurantes, espaços culturais e jardins.
A ideia é aproveitar o “clima económico favorável ao investimento e que se traduz em Almada numa procura crescente por parte de investidores interessados nesta área” para reabilitar o cais ribeirinho, com cerca de 80 mil metros quadrados, e criar habitação, hotelaria, comércio, serviços, estacionamento, miradouros, apartamentos turísticos e espaços públicos, como mercados das artes e diversos equipamentos de apoio.
Quanto aos dois únicos restaurantes que existem no Cais do Ginjal — o Atira-te ao Rio e o Ponto Final — não terão de fechar portas quando as obras começarem porque “na área dos dois restaurantes a intervenção a realizar, após publicação do Plano e concluídos os projectos de infraestruturas, será essencialmente nas traseiras para permitir um acesso ao Jardim do Rio e na frente para a consolidação do cais existente”

"Texto-Observador Junho 2017"

sábado, 23 de maio de 2020

Metafora: o rio e o oceano

Diz-se que mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre.
              


Mas não há outra maneira, o rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece. Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano.
Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento. Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar.
Coragem! Avance firme e torne-se Oceano!

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Mar da Palha observado de Almada

Mar da Palha é uma grande bacia no estuário do Rio Tejo próximo da sua foz, que no seu ponto mais largo atinge os 23 km de largura.

Mar da Palha - Lisboa | Nascer do sol, Por do sol, Mares

Começa a sul do "mouchão de Alhandra", próximo de Alverca do Ribatejo, quando se começam a formar a "Cala do Norte" e a "Cala das Barcas" (ou Sul), em torno do "mouchão da Póvoa", na margem norte, e a Cala da Arrábida a sul do "mouchão do Lombo do Tejo", na margem Sul e termina quando o rio volta a estreitar entre o Terreiro do Paço, em Lisboa, na margem Norte, e Cacilhas (cidade de Almada  na margem Sul
Estão localizadas junto do Mar da Palha as seguintes localidades: AlcocheteAlverca do RibatejoForte da CasaPóvoa de Santa IriaSacavémLisboaMontijoMoitaBarreiroAmoraSeixal e Almada.

Na origem do seu nome estão os resíduos vegetais arrastados pelo rio Tejo das lezírias ribatejanas a montante, que empurradas pelas correntes e ventos circulam em toda a sua extensão.

terça-feira, 19 de maio de 2020

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem de passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
(Fernando Pessoa, Mensagem 1934)

A imagem pode conter: oceano, céu, nuvem, água, ar livre e natureza

O Passado como expressão do Presente

Inaugurado em Abril de 2001:
O Passado como expressão do Presente

                           Nenhuma descrição de foto disponível.

No espaço utilizado até ao século XII como celeiro encontra-se o Núcleo Medieval / Moderno de Almada Velha, composto pelas antigas estruturas e vitrines com os materiais recuperados durante a escavação arqueológica do local.

As peças expostas contam a história do local desde a Pré-História até ao século XIX.

Org.: Câmara Municipal de Almada
Núcleo Medieval/Moderno Almada Velha

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Capitão Leitão (1845-1903)

Quem foi Capitão Leitão...nome dado à principal e carismática rua da Cidade de Almada:
Capitão Leitão (1845-1903)

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De seu nome António Amaral Leitão, ficou conhecido, em todo o país, pela junção da patente militar que envergava e pelo seu apelido, tornando-se uma das figuras mais simbólicas do republicanismo. Capitão Leitão nasceu em Farminhão, uma pequena aldeia do Concelho de Viseu. Integrou o Regimento Militar de Infantaria 10 no Porto e, ainda jovem, abraçou os ideais republicanos.

Desde cedo participou na actividade conspiratória para derrubar a monarquia a partir da sua estrutura militar. Foi um dos principais impulsionadores da revolta de 31 de Janeiro de 1891 e uma das suas figuras mais perseguidas após o fracasso dessa sublevação (a par com outros envolvidos, militares, estudantes e intelectuais). Capitão Leitão tentou escapar às forças militares e num episódio assombroso de perseguição consegue disfarçar-se e foge a cavalo para Albergaria-a-Velha. Reconhecido e denunciado às autoridades locais por um padre acaba por ser preso, acusado de traição, e julgado pelo Conselho de Guerra que o condena a 6 anos de cativeiro ou, em alternativa, a 20 anos de degredo em África. Capitão Leitão escolhe a deportação.

Quando, por fim, chega a Angola, o destino decretado para a extradição, juntamente com outro preso, o actor republicano Miguel Verdial, constrói um caixote de grandes dimensões. O objectivo de tão insólita construção é cumprido: ambos conseguem esconder-se no seu interior, aguardando que, no porto marítimo, os carregadores o depositem no vapor com destino ao antigo Congo francês. Fogem assim, confundidos com a mercadoria. Voltam a ser descobertos, mas, mais uma vez, conseguem escapar. Fogem para Paris de onde Capitão Leitão parte sozinho para o Brasil. Em 1901 regressa a Portugal, mas morre antes de ver implantado o regime político republicano.
Apesar de não existirem registos que atestem a passagem por Almada desta figura republicana, tal como noutras localidades do país, após a implantação do novo regime, o nome de Capitão Leitão passa a usado como símbolo do sonho republicano, marcando na toponímia, no associativismo ou na educação, as ideias de coragem, progresso e humanismo associadas à República. Em Almada, a principal rua da vila é então baptizada com o seu nome, assim como anos antes já o havia sido, o Centro Republicano de Almada.

Quando vier a Primavera...Alberto Caeiro

Quando vier a Primavera
Se eu já estiver morto
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
(Alberto Caeiro foi um heterónimo criado por Fernando Pessoa )
Nenhuma descrição de foto disponível.

Curiosidades...De onde vem o nome “Almeidas”?

Chamamos “Almeidas” aos trabalhadores de limpeza de Lisboa, mas porquê?
Esta é uma expressão típica exclusiva de Lisboa.

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A origem desta expressão, tão comum hoje em dia, está relacionada com um facto muito simples. Inicialmente, quase todos os trabalhadores desta área vinham de Almeida, uma vila pertencente ao distrito da Guarda.

Como eram a maioria, começaram a ser chamados de “Almeidas”. A alcunha pegou e atualmente, os trabalhadores de limpeza da cidade de Lisboa são assim reconhecidos.

Do pouco se faz cultura:
A história é bastante simples, mas daqui resultou um traço cultural típico de Lisboa. Como esta característica, muitas outras são assim, tão simples, mas tão especiais. Daí a nossa riqueza e o que faz de Lisboa uma cidade tão especial.

domingo, 17 de maio de 2020

Almada...Centro Sul num final de tarde...15 de Maio do ano 2020

Foto de Ninoo Vita

A imagem pode conter: céu, nuvem e ar livre

Sonhos em tempos de coronavírus

Sonhar: palavra que se refere simultaneamente a dois fenômenos distintos. Na cultura ocidental, sonho é sinônimo do grande desejo de uma vida, estando, por muitas vezes, diretamente conectado ao próprio sentido da existência humana. Há também o sonho que acontece à noite, quando adormecemos, e é uma experiência sobre a qual temos pouco domínio. Esse se alimenta das reminiscências do cotidiano que se infiltram nos caminhos do inconsciente. Sonhar é como viver realidades distintas a partir de outros olhares. Mesmo que inquietantes, angustiantes ou bizarros, os sonhos nos permitem ter acesso a uma outra maneira de se relacionar com a realidade e com nós mesmos.



“Os sonhos são uma tentativa de prever o futuro com base no que já se sabe. Isso é produzido pelo inconsciente, que junta as pontas, e pode vir para o consciente. Aquilo que está se manifestando e ainda não emergiu para a consciência tem a chance de se manifestar nos sonhos. Nas guerras isso aparece muito claramente”
.
  Os dois tipos de sonhos têm em comum o fato de estarem de alguma forma conectados ao futuro. O sonho que sonhamos à noite pode ser uma espécie de previsão do que irá acontecer. É o que defende o neurocientista  Sidarta Ribeiro, autor de “O oráculo da noite: A história e a ciência dos sonhos”: 

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Aldeias de Portugal - Soajo

Para passar um fim de semana:
Distrito de Viana do Castelo - Concelho de Arcos de Valdevez

Caminhos de Soajo - Arcos de Valdevez © Viaje Comigo

                                                       Caninhos de Soajo
                                                    

O Soajo, uma das mais típicas aldeias portuguesas, pertence ao concelho de Arcos de Valdevez e situa-se numa das vertentes da serra da Peneda, inserida no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

A aldeia foi vila e sede de concelho entre 1514 e meados do século XIX mas, a sua história, começa muito antes, como o comprovam o Santuário Rupestre do Gião, na serra do Soajo, e as inúmeras antas e mamoas que existem nesta zona.

Possui um grandioso conjunto de espigueiros (classificados como imóvel de interesse público) erigidos sobre uma gigantesca laje granítica e que, ainda hoje, são utilizados para secar o milho, pelas gentes da terra. Enquanto caminha pelas ruas pavimentadas com lajes de granito repare nas casas típicas construídas no mesmo material. Aprecie a Casa da Câmara, a Casa do Enes, a Igreja Paroquial de São Martinho do Soajo, o moinho em ruínas e o pelourinho. Atente na calçada medieval que proporciona uma vista panorâmica da aldeia. As inúmeras casas de turismo aqui existentes nasceram da recuperação de edifícios antigos. São espaços muito bem restaurados que mantiveram a traça tradicional e que proporcionam estadias confortáveis em pleno Parque da Peneda-Gerês.

domingo, 5 de abril de 2020

A fragata D. Fernando II e Glória

A fragata D. Fernando II e Glória travou várias batalhas. A maior foi contra o esquecimento, 30 anos encalhada no «Mar da Palha». Após um longo processo de restauro, está de novo no Tejo, agora transformada em museu. E à espera da sua visita.
[Texto de Margarida Henriques – Fotografias de V.E.R. Produções e Fotografia]
In: “Notícias Magazine”, 1998
                Fragata D. Fernando II & Glória - Almada | Mapio.net
Durante os 33 anos em que navegou, a maior parte das vezes sulcando as águas entre Goa e Lisboa, a Fragata D. Fernando II e Glória percorreu cerca de 100 mil milhas, o equivalente a cinco voltas ao Mundo. Construída para ser navio de guerra, acabou por navegar mais como charrua — navio de transporte pouco artilhado. Mas travar uma série de "guerras" parecia ser o seu destino. Foi transformada em navio de transporte, passou a escola de artilharia e mais tarde a orfanato, sede da Obra Social Fragata D. Fernando. Foi nessa altura que um violento incêndio a destruiu quase por inteiro e a remeteu para o "Mar da Palha", onde ficou 30 anos encalhada e à mercê do esquecimento de uns e do vandalismo de outros. Agora, depois de um longo processo de reconstrução e restauro, a Fragata D. Fernando II e Glória está de novo preparada para cruzar os oceanos, se necessário for. Para já, vai marcar presença na Expo'98, para depois voltar para junto da Torre de Belém, onde vai ficar atracada com a função de museu flutuante.
Construída em Damão e lançada à água em 22 de Outubro de 1843, a história da fragata encerra em si uma série de marcos: construída numa altura em que se transitava da vela para o vapor, foi o último navio à vela da Marinha Portuguesa e a última encomendada por Portugal aos estaleiros do antigo Arsenal Real de Marinha de Damão, e foi a última nau a fazer a Carreira da Índia — a linha militar regular que, durante mais de três séculos, fez a ligação entre Portugal e a Índia. O nome que recebeu é uma homenagem a D. Fernando, marido da rainha D. Maria II, e a Nossa Senhora da Glória, de especial devoção entre os goeses, e a quem foi entregue a sua protecção.
Em 1845 fez a sua primeira viagem e, durante os cem anos que esteve ao serviço da Marinha Portuguesa, percorreu o equivalente a cinco voltas ao Mundo. Partiu de Goa para a sua viagem inaugural em 2 de Fevereiro desse ano e chegou ao Quadro dos Navios de Guerra no Tejo em 4 de Julho. A partir daqui, a D. Fernando II e Glória participou numa série de missões e viagens à Índia, Moçambique e Angola, para levar a estes antigos territórios portugueses unidades militares do exército e da marinha, colonos e degredados que, geralmente, iam acompanhados pelos seus familiares. De todas as missões que lhe foram confiadas, as mais importantes foram a participação como navio-chefe de uma força naval na ocupação de Ambriz, em Angola, e a colaboração na colonização de Huíla, onde abdicou das suas funções de navio de guerra para transportar ovelhas, cavalos e éguas do Cabo da Boa Esperança para Moçâmedes.
Vinte anos mais tarde, em 1865, a fragata substituiu a nau Vasco da Gama como escola de artilharia, mas só fez a sua última missão no mar em 1878, altura em que uma viagem de instrução de guarda-marinhas a levou aos Açores e em que, pelo meio, salvou a tripulação da Laurence Boston, uma barca americana que se incendiara.
É na altura em que a fragata D. Fernando II e Glória se transforma em Escola de Artilharia Naval que perde parte da sua beleza e características próprias. Os antigos mastros dão lugar a três deselegantes mastros inteiriços e, em cada bordo, são construídos dois redutos, para colocação de peças de artilharia modernas.

A saída dos oceanos
Em 1940, e apesar de sempre terem sido elogiadas as suas capacidades náuticas, a marinha decidiu que a fragata já tinha cumprido a sua missão nos mares e transformou-a em sede da Obra Social da Fragata D. Fernando, criada para acolher rapazes de famílias pobres, que ai recebiam instrução escolar e treino de marinharia, com o objectivo de depois entrarem nas marinhas de guerra, do comércio e da pesca.
É então que, em 1963, um violento incêndio quase destruiu o oitavo navio de guerra mais antigo do mundo, tendo-se perdido todo o seu recheio: documentação, desenhos, livros de bordo com as assinaturas dos passageiros mais ilustres que por lá passaram, entre muitas outras relíquias. "A fragata ficou em muito mau estado e foi rebocada para o «Mar da Palha», onde ficou 30 anos, encalhada e adornada sobre bombordo. Durante essa época foi-se degradando ainda mais, não só por acção do tempo mas também por acção das pessoas que iam lá buscar madeira (a teca, que é uma madeira muito cara e muito boa), e o navio foi sendo delapidado aos poucos", explica Francisco Salvado, o engenheiro do Arsenal do Alfeite responsável pela gestão do projecto da Fragata D. Fernando. E tudo aquilo que não se perdeu no incêndio — armamento e instrumentos náuticos — perdeu-se nesta altura.
Só em 1991, e depois de muitas "guerras" entre as partes envolvidas no processo, a marinha e o governo optaram pela recuperação do navio. Um projecto que só foi viável com o apoio de mecenas.
 
Mergulho no passado
O navio teve de ser desencalhado. Isso foi uma manobra feita pelo Arsenal. Com o auxílio de mergulhadores retirou-se todo o lastro que estava lá dentro — cerca de 300 toneladas de areia e lodo. Tivemos de dragar um canal até ao Alfeite, para que o navio pudesse ir a reboque. Depois foi construída uma série de flutuadores em fibra de vidro, que deram impulsão suficiente para que o navio descolasse do fundo. Com grande esforço, lá se conseguiu trazê-lo para aqui", recorda Francisco Salvado.
O passo seguinte foi desmantelar o navio e reconstruí-lo em Aveiro, na Ria-Marine. Da fragata original ficou toda a parte do fundo, uma vez que conseguiram recuperar essa madeira e o cobre que a forrava, sendo depois reconstruída em cambala por cima desta parte antiga. "Ao todo, aplicaram-se na sua reconstrução cerca de 900 toneladas de madeira — o que equivale a cerca de três mil toneladas, uma vez que o aproveitamento da madeira é da ordem de um terço —, e 25 toneladas de pregos. Só para fixar o forro de cobre foram necessários 140 mil pregos, todos feitos à mão. Na coberta, os pavimentos foram calafetados com a técnica tradicional que se usava naquela altura: estopa e breu. Nos de cima, como vão estar mais expostos ao tempo e vão ser mais visitados, foram utilizadas técnicas modernas, explica o responsável pelo restauro da fragata.
No ano passado a fragata pôde finalmente voltar a navegar e regressar ao Tejo. Foi reflutuada e rebocada até Lisboa, onde recebeu os últimos acabamentos no Arsenal do Alfeite: o apetrechamento interno, a colocação dos mastros, do aparelho bélico, do mobiliário e de uma série de pequenos pormenores.
Hoje, entrar na fragata D. Fernando é o mesmo que recuar cem anos na história e ver como era a vida no mar em 1850. Desde o paiol dos espíritos, onde se guardavam as bebidas alcoólicas para o tratamento de doentes, ao paiol dos víveres e dos frescos, passando pelos do carpinteiro, do mestre, das bagagens dos oficiais, do velame e da pólvora, e a camarinha do comandante, os camarotes do cirurgião e do navegador e a botica, tudo foi reconstruído como tinha sido criado no século XIX, e decorado com peças da época.
Nada foi deixado ao acaso. Exemplos disso são a botica, onde se podem encontrar os livros de medicina da época e frascos antigos para guardar os medicamentos, e o paiol da pólvora, que foi construído seguindo os mesmos moldes do século passado.
Pronta para voltar a navegar, a D. Fernando está agora condenada a pequenos trânsitos. Os marinheiros de hoje exigem um mínimo de conforto e, isso, a fragata não pode oferecer. Ou perderia todo o encanto dos navios de outrora.

sábado, 7 de março de 2020

A actriz Núria Espert, "grande dama do teatro espanhol", apresenta Lorca em Almada

O espectáculo junta a actriz ao encenador e dramaturgo Luís Pasqual que toma como ponto de partida uma conferência de Federico García Lorca, de 1935, sobre os poemas-canções de "Romanceiro Gitano".
A atriz Núria Espert, “a grande dama do teatro espanhol”, apresenta em Almada, no próximo sábado, o espetáculo “Romancero Gitano”, sobre García Lorca, uma produção dirigida por Luís Pasqual, integrada na programação do Teatro Municipal Joaquim Benite.
“Romanceiro Gitano”, o espetáculo, assenta no poemário de Federico García Lorca (1898-1936), publicado em 1928, que celebra a Andaluzia e os ciganos, e o amor que o poeta e dramaturgo espanhol tinha pelas suas raízes, pela sua cultura e pelas tradições da sua terra natal, como recorda a apresentação da obra.
Esta versão para palco surgiu na sequência da atribuição do Prémio Europa de Teatro a Núria Espert, a atriz que o teatro espanhol considera a sua “grande dama”, com o objetivo de levar um exemplo das mais nobres Letras de Espanha, à cerimónia de entrega do prémio, em São Petersburgo, no final de 2018.
Do pequeno recital de 20 minutos inicialmente pensado, porém, surgiu um espetáculo com quase uma hora de duração, que uniu a atriz e encenadora, Prémio Princesa das Astúrias das Artes em 2016, ao encenador e dramaturgo Luís Pasqual, com quem já tinha trabalhado várias vezes, ao longo da carreira, em tragédias de Eurípides e Shakespeare, em textos do contemporâneo David Hare, e também do poeta andaluz, nomeadamente em “Haciendo Lorca” (1996), “La Oscura Raíz” (1997) e “A Casa de Bernarda Alba” (2009). Como ponto de partida e enquadramento do espetáculo, Pasqual toma uma conferência de Federico García Lorca, realizada em 1935, exatamente sobre o “Romanceiro Gitano”, durante a qual apresentou e comentou os poemas em público.

"Ainda que lhe chame cigano, o ‘Romanceiro’ é sobre a Andaluzia, e chamo-lhe cigano porque cigano é o que encontro de mais elevado, de mais profundo, de mais aristocrático no meu país, o que encontro de mais representativo do seu modo de ser, o que preserva a sua ardência, o seu sangue e o alfabeto da verdade andaluz”, disse o poeta e dramaturgo, nesse encontro público, em 1935."

Os poemas-canções de “Romanceiro Gitano” são assim marcados pela paixão, pela sensualidade, pelo sentido trágico, pelo simbolismo com que evocam a alma cigana da Andaluzia, enquanto modelo de liberdade, sublinha a apresentação do espetáculo acolhido pela Companhia de Teatro de Almada (CTA).

Por vontade de Luís Pasqual, a encenação de “Romancero Gitano” pauta-se pela sobriedade, pois é a palavra — o seu sentido, a sua sonoridade, as imagens que oferece — que estão no centro da ação e definem o drama, como se lê no ‘site’ da companhia. Trata-se de “uma proposta que ilumina a personalidade e voz únicas de Nuria Espert, que sobe a palco para nos espantar a todos com o seu superlativo sentido musical do verso, ao jeito de Lorca dizendo os seus poemas para os seus amigos, numa atmosfera de grande afeto, no que constituía uma experiência quase mística, de grande incandescência”, escreveu o jornalista e escritor argentino Horacio Otheguy, em outubro de 2018, quando da estreia do espetáculo, no Teatro da Abadia, em Madrid.



quinta-feira, 5 de março de 2020

Razões para amar um animal com tanta intensidade

O famoso psiquiatra Sigmund Freud disse que as razões que nos levam a amar um animal com tanta intensidade são compreensíveis quando vemos que o amor delas é incondicional.Resultado de imagem para Razões para amar um animal

A relação que temos com nossos animais é libertada dos conflitos insuportáveis ​​da cultura. Freud estava certo quando disse que “os cães não têm a personalidade dividida, nem a crueldade do homem civilizado nem vingança deste último contra as restrições que a sociedade impõe.”
Ele corretamente disse que um cachorro contém a beleza de uma existência completa. E que um sentimento de afinidade íntima, de solidariedade indiscutível, existe muito claramente.
“As emoções simples e diretas de um cachorro, quando ele abana o rabo para expressar sua alegria ou latidos para mostrar seu descontentamento, são muito mais agradáveis. Os cães nos lembram dos heróis da história e talvez seja por isso que eles frequentemente recebem seus nomes. “-Sigmund Freud-
O cachorro vive em média 12 anos … Por que é tão injusto?
O fato de um cão ou gato viver apenas 12 anos em média é incompreensível e injusto. Por quê? Porque perder a oportunidade de continuar a compartilhar a vida com uma pessoa de quatro patas é extremamente doloroso.
Quando amamos um animal, todo o tempo que passamos com ele não é suficiente. Porque quando estamos com ele, quando olhamos para ele com ternura e amor, percebemos que o tempo passa rápido demais.
Percebemos essa sensação de tempus fugit quando, a cada carícia, sentimos o coração do nosso animal agitar-se no nosso. No entanto, o contraste aparece quando, após cada olá e depois de cada momento compartilhado, entendemos que esse amor é infinito.

Suas superpotências, armas de bondade maciça

Pensamos, com ternura, que nossos queridos animais têm superpoderes. Isso nos faz amá-los muito. Quando fazemos uma lista mental de tudo o que nos surpreende em casa, não podemos deixar de sorrir.
Quando amamos um animal, muitas coisas nos surpreendem e nos amolecem. Sua capacidade de prever o futuro ou “sentir” quando vamos para casa . Sua empatia e capacidade de estar em sintonia com o nosso estado emocional. Sua habilidade em nos confortar e nos motivar …
É difícil deixar nossos animais sozinhos em casa. Seus olhos suplicantes nos enchem de dificuldade. Mas a alegria deles em nos ver nos inunda de felicidade.
Os animais são, sem dúvida, os melhores terapeutas possíveis para muitas pessoas. Sua nobreza e bondade não têm limites. Se não temos um animal para amar, parte da nossa alma está adormecida. Mas esta reservou um espaço para amar os animais. Para desfrutar de seu amor incondicional e suas lições.
A declaração “ninguém jamais amará você mais do que a si mesmo” perde seu significado. Porque os animais são verdadeiros mestres na arte do amor. Cada segundo gasto com eles é um presente. Amar um animal é uma das mais belas experiências. Aqueles que viveram sabem disso.

Crédito da imagem da capa: Souzza

domingo, 9 de fevereiro de 2020

O hábito de ler é o que nos torna mais humanos, diz a ciência

A gente já sabia, mas os estudiosos confirmaram: ser um leitor de ficção te faz ter mais empatia pelo próximo.



Você pode estar precisando de uma desculpinha para ler mais (ou para estimular alguém a fazer o mesmo) ou de um empurrãozinho para decidir qual será sua próxima leitura. Ou pode estar, simplesmente, querendo entender um pouco melhor como funciona essa coisa bem louca chamada “humanidade”.
Para qualquer um destes três casos, nós temos boas notícias: para a ciência, tem ficado cada vez mais claro o quanto aqueles que leem literatura de ficção desenvolvem o dom da empatia muito mais do que os outros.
E por “ficção” entende-se que vai além da científica – estamos falando de romances, mesmo, histórias inventadas, daquelas que nos transportam diretamente para a cabeça de um ser que, na verdade, não existe.
Em meados do século passado, surgiu a Teoria da Mente, descrita pela revista Science como “a capacidade humana de compreender que as outras pessoas têm crenças e desejos e que eles podem ser diferentes de suas próprias crenças e desejos”.
Um estudo publicado em 2013 na mesma revista descobriu, justamente, que os leitores de romances costumam se sair melhor, quando testados a respeito da Teoria da Mente. Ou seja: eles compreendem melhor o fato de que os seres humanos têm opiniões diferentes.
Em julho deste ano, outra pesquisa sobre empatia e a leitura examinou como essa relação é poderosa. Entre os participantes, alguns foram convidados a ler o conto Saffron Dreams, da autora paquistanesa Shaila Abdullah, enquanto outros só foram informados sobre como a história se desenrolava.
Depois, todos eles foram expostos a fotografias de olhares – de várias pessoas diferentes – e estimulados a supor o que cada um dos fotografados estava pensando e sentindo.
Os que leram o conto viam com empatia semelhante os rostos de pessoas árabes e de pessoas brancas, mais do que os outros que não leram. Resumindo: além de ler ficção, precisamos investir nas narrativas, mesmo.
Entre um livro de ficção e uma biografia, portanto, você já pode ter certeza do que escolher, para a próxima leitura. Aproveite!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Cientistas alertam para cinco grandes ameaças à humanidade

Centenas de cientistas alertam para eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e colapso dos ecossistemas, crises alimentares e de água e falha na adaptação às alterações climáticas.


Eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e colapso dos ecossistemas, crises alimentares e de água, e falha na adaptação às alterações climáticas são as cinco maiores ameaças à humanidade, segundo mais de duas centenas de cientistas.
O balanço faz parte de um estudo divulgado esta quinta-feira, que envolveu a colaboração de 222 cientistas de 52 países, que avisam que a maior ameaça à humanidade é o potencial do efeito “bola de neve” dos cinco riscos relacionados e “altamente prováveis”.
Conduzido pela “Future Earth”, uma rede internacional de investigação em sustentabilidade, o estudo identifica cinco riscos globais como os mais graves em termos de impactos, mas quatro deles (alterações climáticas, fenómenos meteorológicos extremos, perda de biodiversidade e falta de água) também foram considerados pelos cientistas como os mais prováveis de acontecer.
Líderes políticos e empresariais mundiais já tinham apontado os mesmos riscos para a humanidade, num inquérito divulgado em janeiro pelo Fórum Económico Mundial.
Mas agora um terço dos cientistas ouvidos para este trabalho alertou para a ameaça que resulta da interação entre os cinco riscos, com as crises globais a agravarem-se umas às outras de tal maneira que podem criar um “colapso sistémico global”.
Ondas de calor extremas podem, por exemplo, acelerar o aquecimento global, libertando grandes quantidades de carbono armazenado pelos ecossistemas afetados, e ao mesmo tempo intensificar crises de água ou escassez de alimentos. A perda de biodiversidade enfraquece a capacidade dos sistemas naturais e agrícolas em lidar com extremos climáticos, aumentando a vulnerabilidade a crises alimentares, exemplificam também os cientistas.
Do total de cientistas ouvidos 173 falaram ainda de riscos adicionais (além de uma lista de 30) como merecedores de uma atenção global maior, como a erosão da confiança e dos valores sociais, a deterioração da infraestrutura social, a crescente desigualdade, o nacionalismo político crescente, a sobrepopulação e o declínio da saúde mental.
“Como consultores científicos para este inquérito pedimos aos académicos, líderes empresariais e formuladores de políticas do mundo que prestem atenção urgente a esses cinco riscos globais e garantam que eles sejam tratados como sistemas em interação, em vez de serem abordados um de cada vez de forma isolada”, dizem os responsáveis pelo documento, de uma centena de páginas.
No documento os cientistas resumem as mais recentes pesquisas sobre o estado do planeta e salientam que os problemas ambientais de hoje são uma mistura de mudanças físicas químicas, biológicas e sociais.
Tentar perceber como é que os nossos impactos numa área, como a extração em rios, afeta outra, como a provisão de alimentos, é uma tarefa complexa”, diz o relatório.
O documento destaca ainda questões como a ascensão e impacto do populismo, ligado à negação das alterações climáticas, e as notícias falsas, o aumento do risco financeiro devido às alterações climáticas ou os impactos nas migrações, mas também fala na ciência ecológica e nos mecanismos financeiros verdes e as mudanças na sociedade a favor de estruturas mais sustentáveis.
Amy Luers, diretora executiva da “Future Earth” disse, citada no documento: “As nossas ações na próxima década determinarão o nosso futuro coletivo na Terra”.

sábado, 25 de janeiro de 2020

Bombas de sementes para reflorestar o planeta

A ideia de jogar sementes em cápsulas do ar não é nova, no entanto, só não foi realizada antes por não haver tecnologia para tal. Hoje é possível e várias empresas buscam alcançá-lo da maneira mais eficiente. Uma delas é a americana Lockheed Martin Aerospace, que afirma que com um bombardeio quase um milhão de árvores jovens podem ser plantadas por dia.


Através deste método de bombardeio com sementes, pode reduzir pela metade o custo em comparação com os métodos de plantio manual.

Além disso, aproveitam aviões que só podem ser usados em caso de guerra e com um objetivo positivo. Existem 2.500 bombardeiros C-130 em setenta países, esperando uma oportunidade de voar. Melhor jogar sementes do que jogar bombas. A empresa calculou que eles podem lançar mais de 3.000 bombas de sementes por minuto. Isso significa plantar 900.000 árvores em um dia.

As bombas de sementes são apontadas e projetadas para serem enterradas no solo na profundidade certa, como se tivessem sido plantadas à mão.
Alojado em plástico biodegradável, o solo artificial fornece alimento e umidade às sementes; até que se torne uma planta forte o suficiente para se sustentar. À medida que amadurece, a cápsula plástica derrete, deixando uma nova geração.
É uma iniciativa única de combate ao aquecimento global: reflorestamento maciço para criar florestas que absorvem carbono.
Algumas regiões que apostam em experimentar o novo método são o deserto do Sinai no Egito, as regiões da Floresta Negra derrubadas durante a Guerra Fria na Alemanha, bem como o norte da África, o Canadá, a Austrália e os Estados Unidos. Espero que mais países participem desse projeto para reflorestar o mundo.